
Olá extraterreste. Olá você que não viu o
Oscar. Esse post é para você! Mais uma vez venho aqui dar o ar da minha graça numa retrospectiva da noite mais importante da indústria cinematográfica quiçá do ano! Não sou Rubens Edwald Filho nem Zé Wilker, mas venho aqui dar os meus pitacos e comentar tin-tin por tin-tin da madrugada passada.
Acho que já expressei aqui a minha paixão por premiações então vocês devem ter uma pequena noção do que o Oscar significa na vida desta que vos fala. Desde as premiações do início do ano passando pelo aguardado dia das indicações até a grande noite é o mesmo ritual todo ano tudo isso, é claro, sem esquecer da maratona de filmes que sempre precede o tal domingo. Parando para pensar me dei conta que vejo a cerimônia impreterivelmente há pelo menos 6 anos, o que vamos convir é bastante para quem tem apenas 21 anos. Assim, sinto-me a vontade quando o aguardado domingo chega e me prostro na frente da TV para acompanhar todo Hollywood desde o tapete vermelho com os belíssimos (às vezes nem tanto) vestidos passando pela piada inicial com referencia aos principais filmes seguida pelos prêmios técnicos que dão sono a todos até o grand finale! Vamos combinar que o Oscar já não surpreende há muito tempo, mas não tem quem tire de mim o gostinho de participar, mesmo que no sofá da minha casa, dessa festa.
Mas, vamos ao que interessa àqueles que não se deram ao trabalho de ficar acordados até 2 da matina de um domingo. Como todo ano a noite começa com uma piadinha de apresentação dos filmes concorrentes que surpreendentemente os apresentadores da noite,
Alec Baldwin e
Steve Martin, deixaram na mão do sempre incrível
Neil Patrick Harris, aka Barney Stinson, numa performance não tão legend-wait for it-dary quanto esperado, mas condizente com a noite como um todo em que não contou com eventos que ficarão para a história. Sim, a 82ª edição dos prêmios da Academia foi morna, morna.
A primeira estatueta da noite foi para o incrível
Christoph Waltz pelo memorável Col. Hans Landa em
Bastardos Inglórios (Não viu ainda? Se mata!). Prêmio previsível e merecidíssimo! E ainda com o melhor discurso da noite: "Oscar and Penelope that's a UBER BINGO!". Logo em seguida tivemos o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante que foi dado, também como esperado, a
Mo’Nique por seu papel em
Preciosa, que eu não vi, então devo confessar que minha torcida estava pela revelação do ano
Anna Kendrick.
A noite continua então com mais um prêmio previsível, Melhor Animação aka Dêem Logo o Prêmio para a Pixar. Esse ano essa categoria conseguiu ficar mais sem graça ainda com
Up – Altas Aventuras, candidato da Pixar, também ser a única animação indicada ao Oscar de Melhor Filme. Oh... Quem será que vai ganhar? [/sarcasmo].
Com
Hannah Montana e
Sophie de Mamma Mia! no palco chegou a hora da Melhor Canção Original que ao contrário dos outros anos não foram cantadas ao longo da premiação. Pelo trechinho que pudemos ouvir antes da entrega do prêmio para mim estava entre
Nine e
Coração Louco. Vi os dois e apesar de estar longe de ser fã de country devo dizer que também daria o prêmio para “The Weary Kind” apesar da potência vocal de
Marion não poder nem ser comparada ao cantar tímido de
Colin Farrell.
Foi a partir de então que o Oscar começou a cagar com a previsão de todo mundo. O prêmio foi arrancado de
Tarantino e dado para a zebra da noite:
Guerra ao Terror. Na boa! Ninguém me convence que a história “inventada” de um soldado do esquadrão anti-bombas no Iraque é melhor do que o
Tarantino reescrevendo a história em 4 línguas e diálogos sensacionais (vide primeiro ato de
Bastardos Inglórios)! Em seguida o favorito a Melhor Roteiro Adaptado,
Amor Sem Escalas, viu sua única real possibilidade de ser premiado ir para as mãos do já vencedor
Preciosa. Volto a repetir que ainda não assisti
Preciosa, mas algo em diz que não vou concordar com essa escolha. Não sei o q1ue os críticos chama de bom roteiro, mas para um roteiro chamar a minha atenção ele tem que ter frases marcantes, aqueles “quotes” para a posteridade, e diálogos que te capturam. Duvido que eu vá encontrar isso em
Preciosa.
Daí começaram os prêmios que quase ninguém viu os filmes. Como não conheço os indicados vou citar rapidamente os vencedores só para constar:
- Melhor Curta de Animação:
Logorama (Me pareceu muito maneiro! You Tube here I go!)
- Melhor Curta:
The New Tenants- Melhor Curta Documentário:
Music by Prudence (PS: Eu sempre fico com vergonha alheia nos discursos de quem ganha essas categorias porque claramente ninguém está prestando atenção a não ser o carinha responsável pela música para expulsar a galera que tá tirando tempo dos prêmios verdadeiramente importantes)
- Melhor Documentário:
The Cove (Documentário sobre o massacre dos golfinhos que quem viu elogiou bastante!)
- Melhor Efeito Especial:
Avatar (Na boa, podem falar qualquer coisa mas não tinha como Avatar não vencer nessa categoria! Não tinha!)
- Melhor Edição de som:
Guerra ao TerrorMelhor Mixagem de Som:
Guerra ao Terror (Sinceramente, não faço noção de qual é a diferença dessas duas categorias Se alguém quiser me elucidar...)
- Melhor Trilha Sonora:
Up – Altas Aventuras (Não tem como, essa música é simplesmente encantadora! Dá vontade de sorrir toda vez que o pianinho começa timidamente)
- Melhor maquiagem:
Star Trek (Se eu fosse apostar seria nesse mesmo, afinal na minha cabeça fazer uma pessoa parecer um ET deve ser mais difícil do que fazer uma pessoa parecer que é do século XVIII)
- Melhor Figurino:
The Young Victoria (Figurinos de época sempre tem vantagem nessa categoria a ponto da própria vencedora ressaltar que os filmes com figurino contemporâneo não recebem o reconhecimento que merecem. Mas é inevitável uma roupa de época sempre fará mais vista e parecerá ter sido mais trabalhosa)
- Melhor Direção de Arte:
Avatar - Melhor Fotografia:
Avatar (O filme é visualmente lindo. Essas duas não tem como!)
- Melhor Edição:
Guerra ao TerrorApós uma longa espera (na boa, os “prêmios técnicos” parece que não vão terminar nunca e é aí que muitos desitem e vão dormir!) os prêmios que realmente interessam voltaram o Melhor Filme Estrangeiro. Há muito tempo que ouço falar do alemão
A Fita Branca que para mim seria o vencedor, mas que eu não assiti. O único indicado que eu assisti foi argentino
O segredo dos seus olhos que acabou levando a estatueta para casa e eu não reclamo nem um pouco pois o filme é verdadeiramente incrível. Incrível ao ponto de eu ainda não ter consegui colocar em palavras aqui no blog a minha resenha (Sorry, Pereira, juro que vou me esforçar para colocar no papel).
Já os prêmios de Melhor Ator e Melhor Atriz foram introduzidos por 5 atores que falam dos seus amigos indicados em discursos íntimos (uns mais íntimos do que outro) cheios de elogio numa vibe meio formatura. Achei fofo alguns discursos onde você podia realmente ver a amizidade ali, mas achei outros meio forçados (o
George Clooney TINHA que ter sido apresentado pelo Brad Pitt!). E foi nesse clima que
Sandra Bullock e
Jeff Bridges levaram como esperado os grandes prêmios; ela com um discurso bonitinho para as mães e principalmente sua família (PS: Adoro ela e o marido dela como o casal bizarro que deu certo!) e ele com um sorriso bobo no rosto e fazendo questão de gastar todos os minutos que podia. Na categoria feminina assisti apenas à
Julie e Julia e
Educação e apesar de ter achado a
Carey Mulligan apaixonante e
Meryl Streep fodástica como sempre não achei nenhuma das performances Oscar-material. Já da categoria masculina posso falar com mais veemência uma vez que o único que não vi em cena foi
Jeremy Renner e posso dizer que o grande Jeff merecia,
Coração Louco não seria NADA sem ele! Devo apenas acrescentar que todos os outros indicados também estavam estupendo!
Ao contrário do início quase monótono da noite os principais prêmios da noite reservaram uma certa surpresa. Apesar de muitos terem cantado a pedra ninguém levou fé que
Guerra ao Terror realmente poderia levar a estatueta mais importante da noite para casa. E ele não só levou a maioria dos prêmios da noite como também levou os dois maiores prêmios dessa edição. Apesar de estar torcendo para
James Cameron ou o sempre amado
Tarantino gostei de ver a
Kathryn Bigelow subir no palquinho e entrar na história como a primeira mulher a ganhar o premio de Melhor Direção.
No entanto não entendi a decisão da Academia de dar o prêmio de Melhor Filme para
Guerra ao Terror. Não vi
Guerra ao Terror, mas tenho certeza que não será um filme marcante. Por mais que
Avatar tenha suas falhas eu poderia compreender sua vitória por conta de tudo que ele representa para a indústria cinematográfica. O filme mais rentável da história que demorou mais de 10 anos para ser feito e trouxe tecnologias nunca antes vistas na tela do cinema e que certamente ira revolucionar como o cinema é feito. Tinha o meu favorito particular (Bastardos!), mas ficaria feliz com a vitoria do fenômeno
Avatar. No entanto, a Academia escolheu a zebra da rodada (tão zebra que no Brasil a aposta em seu sucesso foi levá-lo direto para a locadora) que taí para se tornar um filme facilmente esquecível. Vai entender...