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Bem-vindo ao CINEMA NAÏF. Aqui você encontra as últimas críticas feitas por aqueles que não entendem nada de cinema.

Nossa meta: assistir 1001 filmes durante esse ano de 2010.

40. Preciosa


"México que se cuide, Oprah Winfrey chegou."

Sinopse: "Claireece Preciosa Jones sofre privações inimagináveis em sua juventude. Abusada pela mãe, violentada por seu pai, ela cresce pobre, irritada, analfabeta, gorda, sem amor e geralmente passa despercebida. A melhor maneira de saber sobre ela são suas próprias falas: "Às vezes eu desejo que não estivesse viva. Mas eu não sei como morrer. Não há nenhum botão para desligar. Não importa o quão ruim eu me sinta, meu coração não para de bater e meus olhos se abrem pela manhã”. Uma história intensa de adversidade e esperança."




Preciso ser sincero, Preciosa é um dramalhão mexicano. Pelo menos é um dramalhão muito bem feito. Combinando as artimanhas de Lee Daniels em uma cena ou outra bem esperta (as cenas de estupro, por exemplo, com um take na imaginação de Precious e outro na fritura sendo preparada por ela) com a atuação de Mo'Nique, que, apesar de não ser a atriz principal, merece todos os créditos (afinal de contas, o filme tem um elenco invejável, contando com a presença de Mariah Carey e Lenny Kravitz, que, como atores, cantam muito bem), essa história até certo ponto funciona. Até certo ponto.
Se por um lado é um roteiro que trabalha em cima de um clichê dramático sem sê-lo por completo, por outro não deixa de ser um filme cheeeeio de drama e tristeza com o espectador vendo o personagem principal comendo o pão que o diabo amassou. Há quem chore e há quem fique de saco cheio.
Por isso que eu digo que a Oprah chegou com tudo. É bem a cara dela ser produtora executiva de filmes assim, porque são filmes que vão "chocar" e "dar pena". E ainda conta com a participação especial de Mariah Carey, a mulher que realmente se importa com garotas de 16 anos que são estupradas pelo pai. -NOT
Bom, meus elogios serão um pouco à Gabourey Sidibe, que não teve uma atuação absurda mas bem sólida, acho que mereceu uma indicação ao Oscar. E o restante à Mo'Nique novamente. As duas em cena fizeram as câmeras tremerem.
Só que o fato de as duas estarem muito bem não quer dizer que o filme é muito bom. Ele não é ruim, longe disso. Ele é bem feito, como eu disse. Só que às vezes ele beira o absurdo de tanto drama. E me incomoda que eu tenha tanto a impressão que o objetivo dele seja o despertar da culpa e da compaixão. Se bem que é um roteiro adaptado, né.

Minha nota é 8.6


PS.: Acho que a sinopse é uma boa idéia do que eu quero dizer. Olha as falas da personagem! E aquele fim sobre esperança...

Enfim, fui, mas volto. Oscar chegando, eu preciso assistir aos filmes.

39. Idas e Vindas do Amor

"Um filme que desperta o chocólatra em todos nós."

Sinopse: "Um elenco estrelado se reúne em ‘Idas e Vindas do Amor’, que segue histórias entrelaçadas de um grupo de moradores de Los Angeles enquanto encontram o caminho para o amor, durante as comemorações do Dia dos Namorados."

Nunca entenderei um filme desses. Pode me fazer assistir Fellini, Godard, e eles sempre farão mais sentido para mim que um filme desses, de verdade.
Sejamos sinceros, juntar um monte de ator famoso, gastar uma fortuna com elenco para 5 minutos de cena, e cena ruim ainda por cima, não é uma perda de tempo? Pra se ter uma noção, até na sinopse do filme eles têm que se referir ao elenco.
Tudo bem, não é como se as pessoas que assistem não se envolvessem um pouquinho com a história ou suspirassem em uma declaração ou outra, mas é um filme sem um propósito, sem uma mensagem. A não ser algo como "venha se iludir com o cinema e encher meu bolso porque nunca encontrará nada assim na sua vidinha real e medíocre".
De verdade, eu entrei no cinema e já me senti incomodado, a sala estava cheia e eu só vi uma única fileira que não acomodava casais apaixonados. É engraçado que as pessoas aqui no nosso país se envolvem mais com o dia dos namorados americano que com o nosso, a ponto de não realmente se importarem com nosso 12 de junho mas irem para o cinema flutuando e engolindo comédias românticas idiotas no dia 14 de fevereiro.
O problema é que quem não se encaixa nesse sistema só pode recorrer ao chocolate (ou ao álcool) nessas horas.
Voltando ao problema do filme em si, ele é tão problemático, tão problemático, que eles fizeram questão de escalar 50% de Hollywood para fazê-lo porque sabem que se fosse um filme com um elenco "classe B", ele seria uma destruição de bilheteria (no pior sentido da palavra).

E qual o motivo disso?

Ele é ruim! Simples!

Pelo amor de Deus, o que foi a participação de Kathy Bates nesse filme? Ela teve o quê, duas falas? Sério, minha mãe ali teria feito melhor. Eu me pergunto quanto um ator do nível de Julia Roberts ganha para fazer um filme desses.
Pô, e o Ashton Kutcher, que começa o filme noivo da Jessica Alba e termina beijando a Jennifer Garner? Mensagem super legal a passada pelo filme, não é? "É dia dos namorados, não existe tempo para dor de cotovelo".
O que dá raiva mesmo é que eu ainda perco tempo com isso.

Para todos os solteiros: não percam seu tempo. Nota 4.3

Eu volto em breve.

38. Percy Jackson e o Ladrão de Raios


"Sessão 'filmes ruins que eu adoro.'"

Sinopse: "Percy Jackson (Logan Lerman) descobre que ele é um semi-deus, descendente de divindades gregas. Para salvar o mundo, ele enfrenta aventuras e monstros em um universo repleto de efeitos especiais."

Eu estou começando a perceber que todos os meus comentários são sempre uma grande crítica ou um grande elogio ao diretor. Eu tenho esse feeling que o diretor é o grande Deus de um filme, só que as coisas não dependem só dele, apesar de ser dono da palavra final.
Nesse caso, vou ter que elogiar Chris Columbus. Ele não foi o melhor diretor de Harry Potter na minha opinião, mas ele iniciou a saga e transformou os atores teen nessas bombas milionárias que são hoje. E devido à falta de reconhecimento por seu trabalho na história do bruxo mais pop de todos os tempos, ele resolveu tentar sorte em uma história não tão conhecida mas que tem potencial.
Apesar de possuir a falha que a maior parte de filmes originados de livros tem, que é a correria para contar a história em um prazo curto, de maneira a deixar de fora várias cenas que os leitores considerariam importantes, ele ainda fez um bom filme. Longe de ser um sucesso como seu Harry Potter ou a trilogia clássica de O Senhor dos Anéis, mas dentro desse mundo de fantasia e magia, Percy Jackson e o Ladrão de Raios merece seu espaço sim.
Quer dizer, os efeitos especiais do filme são realmente bons na minha opinião (aprenda, Legião!) e ele soube encaixar as cenas de uma maneira bem agradável. Quer dizer, detalhes como o personagem principal achar que a mãe morreu e não derramar uma lágrima por isso realmente são detalhes que fazem torcer o nariz, mas fora isso, o filme passa sem muitas reclamações.
Além do mais, ele conseguiu encaixar Elvis Presley seguido de Lady GaGa na trilha sonora. Em um filme de magia. É uma das paradas mais legais que eu já vi em um filme assim.
Gosto também de ver um elenco com nomes grandes dando sua contribuição para a história, por mais que tenham papéis não muito dignos de suas atuações. Eu realmente achei muito bom ver Uma Thurman de Medusa e Rosario Dawson de Perséfone.
Então, por mais que o filme esteja longe de ser um fazer parte de uma lista de "memoráveis", eu simpatizei com ele, de verdade.

Bom, minha nota será 7.5

Não adianta, meu gosto é extremamente duvidoso e sempre gostarei de filmes assim.

Volto em breve, assim espero.

37. Legião

"Eu não sei nem o que comentar sobre esse filme."

Sinopse: "Após perderem a fé na raça humana, uma legião de anjos desce a Terra para trazer o Apocalipse. A única esperança da humanidade fica nas mãos de um grupo de estranhos e no Arcanjo Miguel em pessoa."

Eu realmente gosto desse tipo de filme. Esse tipo "ação fantasiosa" que fala sobre anjos e demônios ou qualquer coisa Bíblica me chamam a atenção, principalmente quando a história é um pouquinho mais original que "bonzinho x mauzinho".
E esse é um dos casos, já que é baseado em um roteiro que transforma anjos em vilões. Cria uma idéia original, apesar de em quase todo o filme eu achar que estava assistindo a Supernatural.
Só que, tirando essa idéia que nem foi original, todo o resto é triste demais, meu Deus!
Eu não sabia se ria ou se chorava quando vi anjos atirando para todos os lados (sim, eu escrevi atirando). Quando Paul Bettany fantasiado de Arcanjo Miguel surge com uma bolsa cheia de armas (e armas pesadas!), eu realmente não soube onde enfiar a cara. Total vergonha alheia.
Fora isso, o que são os efeitos especiais desse filme? Alguém avisa para esse povo que já estamos na era de Avatar?! Efeitos como esse não deveriam ser mais admitidos na indústria cinematográfica.
Mas agora é sério: é um roteiro realmente muito mal feito. O diretor e o roteirista desse filme fizeram um acordo: o roteirista copiaria uma história qualquer (e a história copiada foi a de Supernatural - só não sei se transformar a história em um enredo triste para não ficar muito parecido também estava no acordo) e teria que adaptá-la para uma versão de uma hora e meia de duração, afinal não teriam dinheiro para fazer um filme maior. O dinheiro teria que ir para a contratação de um ou dos atores conhecidos para que o filme fizesse algum sucesso. Isso também explica a pobreza dos efeitos.
E aí eu me pergunto, COMO DIABOS PAUL BETTANY E DENNIS QUAID FORAM PARAR NESSE FILME?!?! Eles não têm amor por suas carreiras, só pode. Não que eles sejam atores estupendos e tenham feito papéis realmente inesquecíveis (quer dizer, o melhor personagem que consigo me lembrar de Dennis Quaid é o de pai da Lindsay Lohan em Operação Cupido), mas pô, se prestar a isso é muito fim de carreira.
Juntando-se a eles, atores nunca antes vistos e muito provavelmente nunca mais também. Então, esses atores em um filme corrido com falas retardadas e efeitos especiais muito tristes tornaram o filme uma grandíssima porcaria. Uma mistura de Supernatural com os desertos aterrorizantes de Stephen King e um leve toque de Pânico, onde os personagens morrem um a um (também não deveriam ter dinheiro para isso).
Só teve uma cena que eu gostei, que foi a batalha entre os anjos Miguel e Gabriel. Nessa cena os efeitos não foram ruins e a luta foi bem animada. Eu relevei que Gabriel tinha armas de batalha usadas por super-heróis, de onde saem espinhos e tudo mais. Afinal, melhor isso que um anjo usando arma de fogo.

Não sei mais o que falar. Esse está na competição "Pior Filme do Ano". Essa competição vai dar o que falar.

Uma nota para ele? Tadinho... 4.2

Fico por aqui. Até.

Mas antes de ir, eu realmente tenho que perguntar: o que leva um ator a aceitar um papel realmente ruim? Só o dinheiro mesmo?

36. Apollo 13


"Houston, we do NOT have a problem."

Sinopse: "Três astronautas americanos a caminho de uma missão na Lua sobrevivem à uma explosão, mas precisam retornar rapidamente à Terra para poderem sobreviver, pois correm o risco de ficarem sem oxigênio. Além disto existe o risco de, mesmo retornando, a nave ficar seriamente danificada, por não suportar o imenso calor na reentrada da órbita terrestre."

Ron Howard, quando não está fazendo filmes de Da Vincis da vida, possui um jeito bem peculiar de contar uma história, ainda mais quando é baseada em fato real. Só que esse jeito peculiar de contar história me agrada bastante, sabe Deus o porquê.
O diretor de A Luta Pela Esperança e Uma Mente Brilhante gosta de pegar um fato específico na História e adaptá-lo para as telonas, pelo visto. Como em Frost/Nixon, também dele, que mostra a entrevista do presidente Nixon após o escândalo de Watergate, Apollo 13 trata de uma das maiores tragédias (se não a maior) envolvendo a corrida espacial que ocorreu durante a Guerra Fria (como eu digo, quer melhor modo de aprender História que indo ao Cinema?)
É justamente disso que estou falando, a habilidade de Howard de capturar um detalhe da História para contar um todo. Ele sabe fazer isso, acho que é o que faz de melhor, por isso esses são os meus filmes favoritos dele. O leve toque que ele dá ao filme como se fosse uma espécie de documentário deixa tudo mais interessante.
Em Apollo 13, como se não bastasse esses detalhes, os momentos de tensão não acabam. Talvez até para quem conheça o desfecho do enredo. Cenas que são vistas no filme e te fazem pensar: "Putz, se eu estivesse ali já teria pulado a janela". Metaforicamente falando, claro, já que o filme se passa numa nave espacial.
Como eu digo, quando eu não sinto o filme passar, ele merece meu respeito. E foi isso que aconteceu.
E apesar de eu não ter considerado esse o melhor filme do mundo, ou até mesmo do Howard (eu prefiro Frost/Nixon), esse filme com certeza vale o "tempo perdido". Até os atores, que hoje em dia estão meio apagados (Tom Hanks liderando o grupo, que conta com Kevin Bacon, Bill Paxton e Ed Harris), fazem um trabalho bem consistente nesse filme. Com os momentos de tensão do roteiro, não era exigido muito dos atores para que os espectadores prendessem a respiração.

Nota 8,7

É engraçado ver que tem diretores que, mesmo "atirando para todos os lados" são bons em um determinado tipo de filme. E aí, é melhor o diretor se prender àquilo em que ele é bom ou ele deve mesmo tentar sorte em tudo? Hoje eu não saberia responder isso.

Volto em breve.

35. Lolita

"Está tudo nas entrelinhas."

Sinopse: "Erudito professor universitário britânico vai trabalhar nos Estados Unidos e lá fica tão obcecado por uma ninfeta de 14 anos que casa sua mãe, para estar próximo dela. Porém, quando a esposa morre atropelada ele acredita ser o momento adequado para seduzir a enteada, mas algo acontece que pode prejudicar seus planos."

É engraçado que a maioria das pessoas conhece Lolita por sua nova versão, e em geral, adora. O problema é que quem não assistiu à obra-prima em sua forma original não pode chegar a fazer uma comparação entre as duas versões; simplesmente vê uma delas, na maioria das vezes a mais nova por ser mais acessível, gosta e diz que provavelmente esse é o melhor dentre os dois. Eu fiz isso.
E apesar de ser um roteiro adaptado, é bom ver que, no último filme, muito foi aproveitado de Stanley Kubrick. Não apenas de modo fiel às cenas como também aproveitado de maneira a mudar por completo o ângulo da história. OK, deixa eu me explicar melhor.
Fazer comparação entre filmes na maior parte das vezes é uma coisa bem idiota de se fazer, mas acho que dessa vez é necessário. Em uma época em que a liberdade de imagens e diálogos não era tão aberta quanto hoje em dia (o filme é de 1962), Kubrick aplicou o golpe perfeito: deixou tudo na imaginação de quem assiste. Com cenas inacabadas e diálogos entrecortados que abusam da linguagem dúbia, ele conseguiu criar personagens com uma psicologi bem atordoante. Diferente da Lolita de Adrian Lyne, que aproveita a "liberdade" que sua geração permitia e utiliza ao máximo a sexualidade da atriz, Kubrick trata tudo com uma espécie de suavidade fingida.
Ele cria um Dr. Humbert doentio e possessivo juntamente a uma Lolita mentirosa, cínica e
extremamente manipuladora. Enquanto muitos pensariam que esse é um mérito do livro, eu digo que talvez não seja já que o Dr. Humbert de Jeremy Irons me faz pensar em duas palavrassubmissão e passividade. A Lolita de Lyne possui as mesmas características, mas essas não são mostradas de maneira tão sutil.
Por outro lado, para elogiar, Lyne, há quem pense que ele só se aproveitou que as coisas estavam "mais fáceis" de serem mostradas, mas assistindo ao filme antigo, consegui perceber uma perfeita inversão de imagens. Um tipo de mensagem, como "olha, Kubrick, fiz tudo o que você não pôde. Será que você gosta?"
E eu acho isso não só pela inversão de situações, como o corte de uma hora inteira da história e o desfazer da completa sutileza na relação entre padrasto e enteada. O fato de ter mantido a essência do filme mais velho do meio para o fim também mostra isso. Com o clímax no reencontro entre os dois, com Lolita grávida e usando óculos (esses são uma metáfora e tanto), a repetição de imagens e palavras foi perfeita. Novamente, considerando ser um roteiro adaptado, pode-se levar em conta a fidelidade ao livro. Mas realmente sinto como se houvesse uma espécie de homenagem à obra de Kubrick por parte de Lyne. Só que, como o filme aqui discutido é o do nosso querido diretor de 2001, Laranja Mecânica, Nascido para Matar, entre outros, só posso elogiar o método muito muito esperto de levar um livro com alto teor erótico implícito às telonas. Pensando em como deve ser difícil adaptar um roteiro desses hoje em dia, ele o fez em uma época ainda mais rigorosa, e por essas e outras que ele tem o nome que tem, não é mesmo?

Nota 9.2

Estamos de volta! Em breve mais filme.


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34. Anticristo


"Qual o objetivo de uma pessoa que faz um filme desses?"

Sinopse: "Casal (Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg) devastado com morte do único filho muda-se para uma casa no meio da floresta para superar o episódio. Mas os questionamentos do marido, psicanalista, sobre a dor do luto e o desespero de sua esposa desencadeiam uma espiral de acontecimentos misteriosos e assustadores. E as consequências dessa investigação psicológica são as piores possíveis."

Esse é o filme mais doentio que eu já vi na minha vida. Não deixa de ter sua parcela de inteligência, que por sinal é elevadíssima, mas ainda assim é o filme que eu tenho por definição de "bizarro".
Com metáforas quase impossíveis de serem entendidas (eu até agora não entendi a maior parte delas; e o que entendi não tenho certeza se está certo), o enredo do filme apresenta cenas que são completamente desnecessárias.
Eu sou o tipo de pessoa que por mais que não entenda o objetivo de uma cena, acredita que ela tem algum propósito dentro daquele contexto. Mas dessa vez na minha opinião foram imagens descartáveis. Talvez seja uma espécie de puritanismo agindo, mas há diferença entre inserir em um filme uma nudez como em alguns filmes (filmes esses realmente bons) e colocar cenas de sexo a cada cinco minutos e de mutilação genital (em ambos os atores) como fizeram nesse filme.
Como eu acredito haver uma espécie de comparação da história dos protagonistas à história de José e Maria em seu contexto Bíblico, talvez algumas cenas de sexo realmente fossem indispensáveis, mas ainda não compreendo qual é o objetivo de tamanha explosão de sexualidade. A cena de mutilação nunca sairá da minha cabeça.
Fora isso, há alguns momentos em que, por mais que não haja exploração de sexo, ainda são muito estranhos. Uma raposa falando? Aves que não morrem? Então eu penso que Lars von Trier realmente não tinha um objetivo além de chocar. E isso ele conseguiu.
O que me deixa realmente incomodado é como ele abusa dos atores, não somente nesse filme (como prova temos Dançando no Escuro, Dogville) e muitas vezes apenas para criar caretas de nojo ou expressões de dúvida nos espectadores. Quer dizer, se fossem cenas bobas... Mas os atores que fazem filmes dele realmente devem sair de um set completamente desgastados e precisando de anos de terapia. Eu enlouqueceria, com certeza.
Volto a tocar no ponto "inteligência" do filme, já que algumas coisas foram realmente bem feitas: a criação do enredo e a maneira de trabalhar a história foram levados de maneira muito competente. A idéia dos três mendigos, a inversão da forma como a história é contada na Bíblia e a atuação de arregalar os olhos de Charlotte Gainsbourg são três dos fatores positivos do filme.
Só que eu ainda acho que existiam maneiras menos violentas de contar o enredo. E então eu resolvi tentar entender o porquê de von Trier resolver nos passá-lo de maneira tão pouco "socialmente aceitável".

Encontrei essa entrevista:

"RT: É um grande nome para um filme de terror….

Lars von Trier: Sempre achei que era bom com nomes de filmes. Não é exatamente um filme de terror, mas também não é exatamente um filme religioso. Acho que é um bom nome. Não sei! Mas acho que é.

RT: Você esperava que Anticristo fosse tão controverso?

LvT: Não, não mesmo. Mas isso não me incomoda. Eu podia ver em Cannes aqueles que já tinham decidido não gostar ou gostar do filme mesmo antes de assisti-lo. Mas são poucos os países que irão censurá-lo. Na Europa, o único país que vai censurar o filme será a Alemanha. Na América não sabemos ainda. Mas não é um grande problema para mim.

RT: Como você conseguiu persuadir Willem Dafoe a estrelar o filme?

LvT: No começo, queríamos pessoas mais jovens. Mas Willem me enviou uma carta me perguntando se eu tinha algum trabalho para ele. Eu disse “Claro!” Ele ficou um pouco relutante no começo, mas minha esposa fez algo brilhante. Ela disse “Não ouse recusar esse papel!” E isso não é algo que se diga a Willem! Com isso ele aceitou fazer o filme.

RT: É verdade que Eva Green (007 – Cassino Royale) queria fazer o papel da mulher no filme?

LvT: Passamos muito tempo procurando pelo papel feminino. E sim, Eva Green queria fazer o filme, e chegamos muito perto de ter a Bond girl! Tivemos muitas discussões, mas os agentes dela definitivamente não queriam que ela fizesse esse papel. Perdemos dois meses com isso. Fiquei revoltado, porque não dá para esperar dois meses assim.

RT: E como você conseguiu Charlotte Gainsbourg?

LvT: Charlotte chegou pra mim e disse “Estou louca para pegar esse papel, não importa o que eu precise fazer!” Acho que foi uma decisão que ela fez muito cedo e se agarrou a ela até conseguir. Não tivemos o menor problema.

RT: Ela ficou preocupada com as cenas de nudez e violência?

LvT: Depois de ler o roteiro, nós discutimos como aquelas cenas seriam feitas, e nunca houve qualquer dúvida da parte dela. E isso foi fantástico! E estou muito, muito feliz que ela tenha recebido o prêmio de Melhor Atriz em Cannes. Foi uma performance corajosa, principalmente porque ela é muito, muito tímida.

RT: E quanto as cenas hardcore de sexo?

LvT: Usamos atores pornôs. De fato, isso foi muito engraçado, naquela cena em que ela masturba ele e o sangue aparece, eles continuaram fazendo a cena. Não consegui entender. Aí alguém me disse que em filmes pornôs os atores não podem parar até que o diretor mande! O pobre infeliz foi incrível nessa cena…

RT: Você se preocupa com o fato de que o público possa ficar anestesiado com tanta violência?

LvT: Ah, sim, com certeza. Mas se você pensar em todas essas imagens que vemos na vida real, acho que dá para mostrar qualquer coisa. Mesmo assim parece que há um limite quando se trata de ficção. É bem estranho.

RT: Você passou por um período de depressão há algum tempo. Como isso te afetou nesse filme?

LvT: Eu me senti como um velho que foi ajudado pelos atores durante o filme. Não estava no meu melhor, e não conseguia apreciar todas as coisas que normalmente eu gosto de fazer. Não conseguia dirigir e segurar uma câmera ao mesmo tempo. Não tinha a capacidade mental para isso. Já faço terapia há muitos anos.

RT: As pessoas estão te acusando de misoginia de novo. Você já perguntou a sua esposa o que ela acha do filme?

LvT: Não, mas normalmente não pergunto. Não acredito nela. Há muito tempo ela me disse “Porque você está tão deprimido? Você fez o melhor filme da sua carreira!” e eu respondi “Mas você ainda nem o viu”, e ela “Eu sei disso, mas eu tenho certeza”. Fala sério! Como posso confiar na opinião dela? Ela é sempre muito, muito positiva com relação a tudo que eu faço. Amo muito a minha esposa, ela é fantástica pois consegue apoiar qualquer coisa. Qualquer coisa mesmo. Mas eu não confio nela nesse sentido!

RT: Você acha que as pessoas vão detestar o filme?

LvT: Não penso nisso. Sempre me considero o próprio público. Que tipo de filme eu gosto de ver? Como gosto de ser provocado? Algumas pessoas dividem esse ponto de vista comigo, outras não. Graças a Deus que algumas pessoas pensam como eu! Essa ideia de Hollywood de que é possível atingir um público maior, e por isso saem fazendo testes com as pessoas para saber quando elas riem durante o filme, isso seria impossível pra mim.

RT: Você ficou chateado quando os críticos de Cannes riram da raposa falante?

LvT: Não estava na sala quando eles passaram o filme. Mas acho que posso perceber a diferença de um riso como aquele para a risada de alguém que já se predispôs a odiar o filme desde o começo.

RT: Mas a raposa pretendia ser uma piada?

LvT: Não, ela vem de uma jornada xamânica que eu fiz. Não no sentido de entrar em um avião! Sim, eu ainda tenho medo disso, mas no sentido de ter um tambor repetindo uma batida, e você entrando em um transe que te leva a esse mundo paralelo. E lá eu conversei com essa raposa que ordenou ganhar uma fala no filme.

RT: Ela disse mais alguma coisa?

LvT: Na verdade a primeira raposa que encontrei foi uma raposa vermelha. E logo ela começou a se despedaçar. Depois disso, encontrei um monte de outras raposas. Raposas prateadas com pequenos filhotes. E essas me disseram “Nunca confie na primeira raposa que você conheceu”. Foi interessante.

RT: O filme fala sobre uma jornada xamânica?

LvT: Isso seria muito legal, uma jornada xamânica é algo muito pessoal. Não tem nada de religioso nela, mas é muito boa.

RT: Qual é o seu animal xamânico?

LvT: Uma lontra. Pois é! Não é algo que você possa decidir. Apenas aparece.

RT: O que você fará agora?

LvT: Não sei. Não faço a menor ideia. Nem penso em fazer outro filme no momento. Não tenho nada em mente. Gosto de jardinagem. Costumo sentar no meu jardim, é sempre muito tranquilo. Sou um homem da natureza. Passo o maior tempo possível na natureza. É o lugar onde me sinto mais seguro."

Fonte: http://portal-cinefilo.com/


Pois bem, aqui está a visão do homem. Ainda acredito que é apenas uma ilusão doentia de uma mente com problemas no momento.

Nota 5.0

Vejo vocês depois.

33. Duplicidade


"Filmezinho difícil"

Sinopse: "Claire Stenwick (Julia Roberts) e Ray Koval (Clive Owen) são ex-agentes, ela da CIA e ele do MI6, que deixaram seus antigos empregos para lucrar com a guerra fria existente entre duas corporações rivais. O objetivo de ambos é encontrar a fórmula de um produto, que renderá uma fortuna a quem patenteá-lo antes. Para tanto eles buscam sempre enganar o outro, usando todos os truques possíveis."

Duplicidade é um filme que trabalha em cima de detalhes. Detalhes de imagem, de diálogo, enfim. Um roteiro feito para espectadores mais atentos, porque quem dá uma viajada... perde alguma coisa.
Eu já fui mais fã de filmes que trabalham com coisas pequenas. Desses que uma cena, uma conversa te faz perceber exatamente o que está para acontecer. Em geral quando isso ocorre, você se sente mais ativo na cadeira da poltrona. Quase como a idéia de que se o caso estivesse em suas mãos, você teria resolvido o problema.
E apesar de nessa história não haver nenhum mistério a ser resolvido, os detalhes fazem diferença. Não que o filme seja ininteligível se alguém deixar de pescar uma coisa ou outra, mas quem percebe algumas coisas de imediato consegue ter uma idéia do que vem a seguir. Como por exemplo, eu tive que assistir ao começo desse filme duas vezes (nada como um pai que pega o filme pela metade e depois volta tudo para poder entender). Na primeira vez eu não havia prestado atenção ao nome das empresas que estavam no avião e por um tempo considerável (mas nada gritante) fiquei meio perdido na história. Até que assistindo pela segunda vez vi que esse detalhe me teria facilitado muito.
Então, hoje em especial essa é minha crítica para com o filme. Como eu disse, ao assistir pela primeira vez não estava tão atento e deixei escapar algumas coisas. E realmente não gostei disso, de não conseguir acompanhar bem só porque perdi uma simples cena.
Quer dizer, o filme é contado aos pingos, cenas de "atualidade" são contadas juntamente à história dos personagens principais, sem qualquer tipo de aviso, o que dificulta muito a coisa toda. Não duvido nada que alguém que tenha se perdido vendo esse filme. E como se não bastasse misturar as cenas, confundindo passado e presente dos protagonistas, ainda há esse abuso de imagens e conversas que se a pessoa não estiver antenada, terá perdido o dinheiro do cinema ou da locação com certeza. Ou até mesmo parar o filme pela metade.
Além disso, por mais que seja legal ver Julia Roberts e Clive Owen juntos novamente, eles não tiveram a mesma química que em Closer, pelo menos na minha opinião. Aliás, eu realmente não acho que ela sirva para filmes policiais como esse. Estou querendo saber até agora o que ela estava fazendo no Globo de Ouro.
Resumindo, esse foi o primeiro filme de detalhes que não me agradou. Não que o filme seja ruim, só o achei meio "metido a inteligente".

Nota 7.0

Eu sou muito legal dando nota.

Volto em breve.

32. Se Beber Não Case



"Insano"

Sinopse: "Dois dias antes do casamento, Doug e três amigos vão de carro para Las Vegas, para passar uma noite inesquecível. Mas quando os três padrinhos de casamento acordam no dia seguinte, não conseguem se lembrar de nada. O luxuoso quarto de hotel está um caos e o noivo simplesmente desapareceu. Sem a menor ideia do que pode ter acontecido e correndo contra o tempo, o trio precisa refazer os passos da noite anterior até descobrir quando as coisas começaram a desandar e, de preferência, levar Doug de volta a Los Angeles a tempo para o casamento. O problema é que, quanto mais eles descobrem, mais percebem o quanto estão encrencados."

Eu ainda não sei bem o que dizer sobre esse filme. A única coisa que me vem à cabeça é que ele é tão sem noção que beira o absurdo.
Mas absurdo não é sinônimo de ruim, certo?
Pois bem, estamos falando de personagens loucos que se envolvem em confusões surreais. Se por um lado toda essa irrealidade pela qual eles passam te fazem perguntar "pelo amor de Deus, o que é isso?", por outro ela te faz dar boas gargalhadas.
Esse filme vai da surpresa à comédia clichê, desde um tigre dentro do banheiro roubado de Mike Tyson (?) a cenas de "comédia esperada" (daquelas "oh, céus, o que mais falta me acontecer" e um carro bate no deles ou um piano cai na cabeça de um). E eu ainda não decidi se essa comédia me agradou ou não.
Como ponto positivo, dentre as comédias atuais, ela se destaca; é uma diferente em um grupo de iguais. Agora eu não sei dizer se essa diferença é maior pela graça ou pela falta de pudor. Falem bem, falem mal, mas falem do filme, talvez eles tenham alcançado esse objetivo.
E a maneira de contar a história também é bem interessante, já que não vemos um bando de adolescente com 35 anos enchendo a cara e voltando à época de colegial, apesar de isso ficar implícito. A história ocorre a partir do momento "Hangover", em que eles vão tentando recriar seus passos para reencontrar o amigo que está prestes a casar. O interessante é vê-los sóbrios desfazendo as confusões feitas quando estavam totalmente altos.
Nisso, temos personagens bem estereotipados, como o reclamão, o que não liga para nada e o maluco drogado. Falando assim passa uma impressão ruim, mas dentro do contexto do filme, eles são engraçados. E de todos os personagens, o melhor é o bebê com óculos escuros. Ele dominou a cena.
durante o enredo, há casamentos com desconhecidos, confusão com chineses, roubo de viaturas policiais... Esse filme tem de tudo. Como eu disse, ele é tão sem noção que beira o asburdo. Mas não de uma maneira completamente ruim. Em vários momentos, eu tive vontade de juntar muito dinheiro e ir a Las Vegas fazer tudo o que eu quero e teoricamente não posso. Essa é a idéia geral passada pelo filme, não é? "Curta o momento" ou qualquer coisa do tipo.
Pois então, falhas ele tem. Coisinhas pequenas mas que enfraquecem o roteiro. A falta de realidade da coisa toda as vezes incomoda, faz revirar os olhos. Uma tentativa ou outra de piada que realmente não funciona. A criação dos personagens também não foi das melhores. Mesmo assim, meu problema com o filme não foi realmente esse. Acho que vocês perceberam.


Nem sei mais o que dizer.


Só me resta dar nota, não é? Darei 7.5, sem muita certeza.


É engraçado que várias pessoas que viram o filme falaram que ele é bem melhor que aparenta. OK, ele não é mesmo o que se espera, mas se é melhor eu não tenho tanta certeza. Esse filme me confundiu.


Volto depois, até.

31. Simplesmente Complicado



"Não é tão complicado assim falar desse filme."

Sinopse: "Jane (Meryl Streep) é mãe de três filhos adultos, dona de um restaurante em Santa Barbara e é dez anos divorciada de Jake (Alec Baldwin), Jane se deixa levar pela festa de formatura de seu filho e volta com Jake, que agora está casado com uma garota muito mais nova. Jane vira a outra, e parece viver uma nova paixão com Jake, mas entra em sua vida Adam (Steve Martin), um arquiteto que se apaixona por Jane."

Quando soube que Meryl Streep estaria concorrendo ao Globo de Ouro por esse filme, pensei que seria apenas mais um para enaltecer a potência dessa mulher na frente de uma câmera.
OK, me enganei. E o Globo de Ouro também, só para constar. Só que isso não quer dizer que ela está mal no filme, não. Ela está no ponto. Só que estar no ponto em um filme que é bom, mas não chega a ser fenomenal não é nada que mereça prêmio.
Não é como se ela estivesse esquecível ou algo do tipo, definitivamente ela estava melhor que muita atriz por aí, apesar de eu preferir quando ela faz papel de femme fatale. Só que o que realmente me chamou a atenção foi a química dela com o Alec Baldwin.
Quer dizer, ela formou um casal bem bonito com Steve Martin, que pela primeira vez eu vejo fazendo um papel mais sério. E não é que ele estava bem?
Mas... Com Baldwin, a coisa funcionou melhor. Eles realmente convenceram como um casal de meia-idade se reapaixonando e passando por problemas dessa etapa da vida, que são tratados de forma bem sutil (inteligente da parte de Nancy Meyers).
Antes de começar a falar do filme em si eu quero falar um pouquinho do Baldwin. Eu nunca o considerei um ator brilhante ou nada do tipo. Eu acho que ele se encaixa bem em alguns papéis específicos. Para a sorte dele, esse foi o caso. Ele estava engraçado e até charmoso na medida certa. Ele realmente tem cara de "advogado rico que troca a esposa de quarenta por uma de vinte e depois se arrepende".
E o filme, além dos toques de comédia que funcionaram bem, sem qualquer forçação. Eu gostei de como a história foi levada, com um roteiro não perfeito, mas bem escrito. Os detalhes que tocam no assunto mas não insistem nele para mim foram o mais esperto. Desde a consulta com um cirurgião plástico à consulta com o analista, além do "momento maconha". Problemas mal-resolvidos de pessoas que estão chegando a uma idade mais avançada, que as levam a tomar certas atitudes que não teriam antes me pareceu a mensagem que queria ser passada.
Fora isso, é legal falar também que há uma certa confusão de sentimentos dos personagens, tornando tudo mais interessante. Não é como se o personagem do Alec Baldwin fosse um nojento que só volta a perseguir a ex-esposa para atormentar, quando ela está tentando se acertar com o personagem do Martin. É simplesmente um tipo de filme que é difícil você escolher para quem torcer. É simplesmente complicado (eu não acredito que acabei de soltar essa piadinha).
E quanto às críticas... bem, nada que realmente chamasse minha atenção.

Minha nota vai ser... 8.6

Até mais tarde.

Ah! Alguém que lê isso por um acaso acha legal quando insistem em um casal que dá certo? Tipo a Globo que já está usando o casal da novela das sete pela décima vez, sei lá.

E também, o filme vai ter sua estréia por essas bandas no dia 26 de fevereiro. Com certeza vale uma ida ao cinema.

Academy Awards 2010





Em 7 de março de 2010, no Teatro Kodak, em Hollywood, as estatuetas mais famosas do mundo serão entregues. Com uma lista de competidores bem confusa na minha opinião, os prêmios da noite como o de melhor filme podem ir a Avatar, líder de recordes, como a Up - Altas Aventuras, uma animação, fato inédito na categoria.
Além disso, há a (não tão) novidade que esse ano serão 10 filmes disputando pela categoria chave da noite, como era feito há algumas décadas.

E os competidores da noite são:

Melhor filme
“Avatar”
“O Lado Cego”
“Distrito 9″
“Educação”
“Guerra ao Terror”
“Bastardos Inglórios”
“Preciosa”
“A Serious Man”
“Up – Altas Aventuras”
“Amor Sem Escalas”

Melhor diretor
James Cameron, “Avatar”
Kathryn Bigelow, “Guerra ao Terror”
Quentin Tarantino, “Bastardos Inglórios”
Lee Daniels, “Preciosa”
Jason Reitman, “Amor Sem Escalas”

Melhor ator
Jeff Bridges, “Crazy Heart”
George Clooney, “Amor Sem Escalas”
Colin Firth, “A Single Man”
Morgan Freeman, “Invictus”
Jeremy Rennet, “Guerra ao Terror”

Melhor atriz
Sandra Bullock, “O Lado Cego”
Helen Mirren, “The Last Station”
Carey Mulligan, “Educação”
Gabourey Sidibe, “Preciosa”
Meryl Streep, “Julie & Julia”

Melhor ator coadjuvante
Matt Damon, “Invictus”
Woody Harrelson, “The Messenger”
Christopher Plummer, “The Last Station”
Stanley Tucci, “Um Olhar do Paraíso”
Christoph Waltz, “Bastardos Inglórios”

Melhor atriz coadjuvante
Penelope Cruz, “Nine”
Vera Farmiga, “Amor Sem Escalas”
Maggi, “Crazy Heart”
Anna Kendrick, “Amor Sem Escalas”
Mo’Nique, “Preciosa”

Melhor animação
“O Fantástico Sr. Raposo”
“Coraline e o Mundo Secreto”
“Up – Altas Aventuras”
“A Princesa e o Sapo”
“The Secret of Kells”

Melhor roteiro original
“Guerra ao Terror”
“Bastardos Inglórios”
“The Messenger”
“A Serious Man”
“Up – Altas Aventuras”

Melhor roteiro adaptado
“Distrito 9″
“Educação”
“In the Loop”
“Preciosa”
“Amor Sem Escalas”

Melhor filme estrangeiro
“Teta Assustada”, Peru
“A Fita Branca”, Alemanha
“O Profeta”, França
“Ajami”, Israel
“O Segredo de Seus Olhos”, Argentina

Melhor direção de arte
“Avatar”
“O Imaginário do Dr. Parnassus”
“Nine”
“Sherlock Holmes”
“A Jovem Victoria”

Melhor fotografia
“Avatar”
“Harry Potter e o Enigma do Príncipe”
“Guerra ao Terror”
“Bastardos Inglórios”
“A Fita Branca”

Melhor figurino
“Brilho de uma Paixão”
“Coco Antes de Chanel”
“O Imaginário do Dr. Parnassus”
“Nine”
“A Jovem Victoria”

Melhor edição
“Avatar”
“Distrito 9″
“Guerra ao Terror”
“Bastardos Inglórios”
“Preciosa”

Melhor maquiagem
“Il Divo”
“Star Trek”
“A Jovem Victoria”

Melhor trilha sonora
“Avatar”
“O Fantástico Sr. Raposo”
“Guerra ao Terror”
“Sherlock Holmes”
“Up – Altas Aventuras”

Melhor canção original
“A Princesa e o Sapo”, com “Almost There”
“A Princesa e o Sapo”, com “Down in New Orleans”
“Paris 36″, com “Loin de Paname”
“Nine”, com “Take It All”
“Crazy Heart”, com “The Weary Kind”

Melhor documentário de longa-metragem
“Burma VJ”
“The Cove”
“Food, Inc”
“The Most Dangerous Man in America”
“Which Way Home”

Melhor documentário de curta-metragem
“China’s Unnatural Disaster: The Tears of Sichuan Province”
“The Last Campaign of Governor Booth Dardner”
“Music by Prudence”
“Rabbit à la Berlin”

Melhor curta-metragem de animação
“French Roast”
“Granny O’Grimm’s Sleeping Beauty”
“The Lady and the Reaper”
“Logorama”
“A Matter of Loaf and Death”

Melhor curta-metragem
“The Door”
“Instead of Abracadabra”
“Kavi”
“Miracle Fish”
“The New Tenants”

Melhor edição de som
“Avatar”
“Guerra ao Terror”
“Bastardos Inglórios”
“Star Trek”
“Up – Altas Aventuras”

Melhor mixagem de som
“Avatar”
“Guerra ao Terror”
“Bastardos Inglórios”
“Star Trek”
“Transformers – A Vingança dos Derrotados”

Melhores efeitos visuais
“Avatar”
“Distrito 9″
“Star Trek”

Fonte: http://www.fredburlenocinema.blogspot.com/

Uns leves comentários: Só que eu que não simpatizei muito com essa lista do Oscar? Além dos prêmios técnicos, que não são muito interessantes, no geral eles estão ou muito óbvios ou muito diferentes do que era o imaginado. Só eu que estou pensando assim?
E pelo amor de Deus, alguém faz o favor de tirar a Meryl Streep de lá? Ela é ótima, mas por Julie & Julia? Sério?














30. Disque M Para Matar




"Aprenda com o Mestre a fazer um filme inteligente"


Eu não preciso ficar aqui dizendo que Hitchcock será imbatível na arte de fazer um filme de suspense bem feito.
Ele sabe criar o ambiente perfeito, ele sabe criar os assassinos reais, ele sabe criar o clima perfeito e ele sabe como desvendar um mistério de maneira perfeitamente viciante. Percebam qual foi o adjetivo mais usado para descrever o trabalho do cara.
Eu decidi não pôr sinopse para esse filme porque o ideal é assisti-lo sem ter muita noção do que irá acontecer; e acreditem, vale a pena perder uma hora e quarenta minutos do seu tempo assistindo a esse filme. Para se ter uma noção, eu já conhecia a história do filme e sabia o que iria se passar durante alguma parte dele. Ainda assim, eu mal conseguia piscar durante o desenvolvimento da história. Na cena de assassinato (isso não vale como sinopse, afinal, estamos falando de um filme de Hitchcock), eu prendi a minha respiração. E quando percebi que o fazia, pensei: "Puxa vida, o 'Mestre' deve estar sorrindo no túmulo agora".
Ele com certeza absoluta consegue arrancar todos os sentimentos que deseja de uma pessoa. E é simplesmente ridículo de genial a maneira como ele consegue fazer isso.
Nesse filme em particular, para exemplificar o que quero dizer, começamos pelo abuso do cenário. Mais um filme em que toda a história se passa quase por completo em um único local. Excluindo a cena do julgamento que, brilhantemente, não se passa em um tribunal, e sim em um "cenário limpo", em que apenas o roteiro te encaminha para a dedução de que aquilo é um julgamento.
Seguido por longuíssimas cenas em um só contexto, como a cena de toda a preparação e conversa entre assassino e contratante, ou então a cena pós assassinato, em que a polícia procura provas. São duas cenas que levam embora uma grande parte de tempo do filme: quando você percebe, uma hora já se passou.
Ou ainda a idéia de plano perfeito criado no filme que vai se desfazendo ao acaso, em situações em que o esperado não deveria acontecer e não acontece . Uma coisa que falta atualmente, aliás. É incrível (e como é chato) que tudo o que o assassino quer que ocorra, ocorre. Hitchcock já quebrava um tabu que seria criado após seus filmes terem sido lançados. Em Disque M Para Matar as coisas vão saindo do controle do marido de maneira perfeitamente natural, como seriam na realidade.
Além de todas essas idéias que diferem os filmes de Hitchcock para o resto, há os detalhes que fazem diferença, como o abuso de cores do suposto tribunal em que Grace Kelly é julgada; ou como as cores das roupas dela vão "fechando" à medida em que sua vida vai se complicando; ou até mesmo como Hitchcock faz questão de mostrar um Robert Cummings que vai criando uma situação ao chamar o assassino em sua casa (ainda não é sinopse) e depois vai desfazendo-a detalhadamente, relevando suas intenções.

Nota 9.1

Quando eu conseguir digitar tudo, vou postar aqui um texto no qual François Truffaut entrevista Alfred Hitchcock. Eles conversam sobre vários filmes, inclusive Disque M Para Matar e Janela Indiscreta. Um material que vale a pena ler.

See ya.

29. Sete Noivas Para Sete Irmãos



"Um Faroeste Musical? Que combinação estranha...
...mas divertida."

Sinopse: "Depois que Adam (Howard Kell), o irmão mais velho de uma família de caipiras, volta para sua fazenda com uma noiva, seus outros seis irmãos solteirões decidem ir para a cidade e arrumar seis noivas para morarem com eles na fazenda também."

É legal ver que temas bem atuais eram retratados em musicais dos anos 50.
A começar pelo casamento (que aliás é o tema central do filme, né. É só olhar o título). Eu consigo ver claramente nos casamentos atuais o que o personagem de Howard keel fez com Jane Powell. O casamento por conveniência. Encontrar alguém que substitua a mãe e ainda lave, passe e cozinhe. Casamento por amor? Pff... Se bem que nos musicais antigos, as histórias acabavam em final feliz.
Mas isso não vem ao caso. O filme em si não é o melhor do mundo, mas eu acho que eu nunca vi números de dança em um musical tão bem feitos.
Acho que a dança é a primeira coisa que chama a atenção. Quer dizer, não é a primeira. Enquanto assistia ao filme, minha mãe (mais uma vez) entrou no quarto, me deu um esporro por serem duas da manhã e eu ainda estar vendo filme e em seguida parou do meu lado, dizendo que adorava esse filme em particular. E me falou uma coisa bem interessante, enquanto Jane Powell mostrava todo seu potencial (que, acreditem, não é pouco) ao cantar: "É, não se fazem mais atrizes completas desse jeito. Essa daí sabia fazer tudo, cama, mesa e banho".
E eu, que estou para assistir Nine por agora, lembrei do trailer e pensei que talvez seja verdade. Talvez hoje em dia seja muito fácil colocar uma atriz qualquer (não "qualquer", mas que não seja completa no sentido citado anteriormente) em um musical e fazê-la passar por boa cantora e/ou dançarina quando ela de fato não é.
E até agora eu não consegui identificar se isso caracteriza uma qualidade do diretor ou um defeito dos espectadores. Alguém me responde essa?
Mas então, voltando ao filme. Deixando de lado a capacidade vocal imensa de Jane Powell (que aliás, dominou o filme do início ao fim), esse filme marca MUITO pelas cenas dançantes. As coreografias são absurdas de difíceis (juro que vi Daiane dos Santos se sentindo humilhada ali, e o pior, pelos irmãos em vez de pelas noivas). E ainda assim eles conseguem uma sincronia quase que perfeita. Eu nunca tinha visto isso em um filme.
Fora algumas cenas realmente engraçadas, como as brigas que ocorriam a cada 5 minutos de filme, ou o jeito bronco dos irmãos, a idéis dos nomes de acordo com o alfabeto ou até a percepção que eles realmente encontraram 7 atores ruivos para o papel! (se é que eles são ruivos, minha percepção para cor é terrível.)
Há também uns "ridículos" que se tornam bem aceitáveis (pelo menos na minha opinião) considerando a história do filme. A rapidez do primeiro casamento ("vim buscar uma esposa e não volto sem uma") ou os irmãos raptarem (sim, foi isso mesmo que vocês leram) as garotas por quem estavam apaixonados. Coisas que quando você lê faz uma cara de "sério mesmo que você viu um filme assim?" mas que quando você assiste, te dá vontade de rir. Quer coisa melhor para um domingo à noite?

Nota 8.5

Talvez não se façam mais musicais como antigamente.

Até.
 
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