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Nossa meta: assistir 1001 filmes durante esse ano de 2010.

34. Anticristo


"Qual o objetivo de uma pessoa que faz um filme desses?"

Sinopse: "Casal (Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg) devastado com morte do único filho muda-se para uma casa no meio da floresta para superar o episódio. Mas os questionamentos do marido, psicanalista, sobre a dor do luto e o desespero de sua esposa desencadeiam uma espiral de acontecimentos misteriosos e assustadores. E as consequências dessa investigação psicológica são as piores possíveis."

Esse é o filme mais doentio que eu já vi na minha vida. Não deixa de ter sua parcela de inteligência, que por sinal é elevadíssima, mas ainda assim é o filme que eu tenho por definição de "bizarro".
Com metáforas quase impossíveis de serem entendidas (eu até agora não entendi a maior parte delas; e o que entendi não tenho certeza se está certo), o enredo do filme apresenta cenas que são completamente desnecessárias.
Eu sou o tipo de pessoa que por mais que não entenda o objetivo de uma cena, acredita que ela tem algum propósito dentro daquele contexto. Mas dessa vez na minha opinião foram imagens descartáveis. Talvez seja uma espécie de puritanismo agindo, mas há diferença entre inserir em um filme uma nudez como em alguns filmes (filmes esses realmente bons) e colocar cenas de sexo a cada cinco minutos e de mutilação genital (em ambos os atores) como fizeram nesse filme.
Como eu acredito haver uma espécie de comparação da história dos protagonistas à história de José e Maria em seu contexto Bíblico, talvez algumas cenas de sexo realmente fossem indispensáveis, mas ainda não compreendo qual é o objetivo de tamanha explosão de sexualidade. A cena de mutilação nunca sairá da minha cabeça.
Fora isso, há alguns momentos em que, por mais que não haja exploração de sexo, ainda são muito estranhos. Uma raposa falando? Aves que não morrem? Então eu penso que Lars von Trier realmente não tinha um objetivo além de chocar. E isso ele conseguiu.
O que me deixa realmente incomodado é como ele abusa dos atores, não somente nesse filme (como prova temos Dançando no Escuro, Dogville) e muitas vezes apenas para criar caretas de nojo ou expressões de dúvida nos espectadores. Quer dizer, se fossem cenas bobas... Mas os atores que fazem filmes dele realmente devem sair de um set completamente desgastados e precisando de anos de terapia. Eu enlouqueceria, com certeza.
Volto a tocar no ponto "inteligência" do filme, já que algumas coisas foram realmente bem feitas: a criação do enredo e a maneira de trabalhar a história foram levados de maneira muito competente. A idéia dos três mendigos, a inversão da forma como a história é contada na Bíblia e a atuação de arregalar os olhos de Charlotte Gainsbourg são três dos fatores positivos do filme.
Só que eu ainda acho que existiam maneiras menos violentas de contar o enredo. E então eu resolvi tentar entender o porquê de von Trier resolver nos passá-lo de maneira tão pouco "socialmente aceitável".

Encontrei essa entrevista:

"RT: É um grande nome para um filme de terror….

Lars von Trier: Sempre achei que era bom com nomes de filmes. Não é exatamente um filme de terror, mas também não é exatamente um filme religioso. Acho que é um bom nome. Não sei! Mas acho que é.

RT: Você esperava que Anticristo fosse tão controverso?

LvT: Não, não mesmo. Mas isso não me incomoda. Eu podia ver em Cannes aqueles que já tinham decidido não gostar ou gostar do filme mesmo antes de assisti-lo. Mas são poucos os países que irão censurá-lo. Na Europa, o único país que vai censurar o filme será a Alemanha. Na América não sabemos ainda. Mas não é um grande problema para mim.

RT: Como você conseguiu persuadir Willem Dafoe a estrelar o filme?

LvT: No começo, queríamos pessoas mais jovens. Mas Willem me enviou uma carta me perguntando se eu tinha algum trabalho para ele. Eu disse “Claro!” Ele ficou um pouco relutante no começo, mas minha esposa fez algo brilhante. Ela disse “Não ouse recusar esse papel!” E isso não é algo que se diga a Willem! Com isso ele aceitou fazer o filme.

RT: É verdade que Eva Green (007 – Cassino Royale) queria fazer o papel da mulher no filme?

LvT: Passamos muito tempo procurando pelo papel feminino. E sim, Eva Green queria fazer o filme, e chegamos muito perto de ter a Bond girl! Tivemos muitas discussões, mas os agentes dela definitivamente não queriam que ela fizesse esse papel. Perdemos dois meses com isso. Fiquei revoltado, porque não dá para esperar dois meses assim.

RT: E como você conseguiu Charlotte Gainsbourg?

LvT: Charlotte chegou pra mim e disse “Estou louca para pegar esse papel, não importa o que eu precise fazer!” Acho que foi uma decisão que ela fez muito cedo e se agarrou a ela até conseguir. Não tivemos o menor problema.

RT: Ela ficou preocupada com as cenas de nudez e violência?

LvT: Depois de ler o roteiro, nós discutimos como aquelas cenas seriam feitas, e nunca houve qualquer dúvida da parte dela. E isso foi fantástico! E estou muito, muito feliz que ela tenha recebido o prêmio de Melhor Atriz em Cannes. Foi uma performance corajosa, principalmente porque ela é muito, muito tímida.

RT: E quanto as cenas hardcore de sexo?

LvT: Usamos atores pornôs. De fato, isso foi muito engraçado, naquela cena em que ela masturba ele e o sangue aparece, eles continuaram fazendo a cena. Não consegui entender. Aí alguém me disse que em filmes pornôs os atores não podem parar até que o diretor mande! O pobre infeliz foi incrível nessa cena…

RT: Você se preocupa com o fato de que o público possa ficar anestesiado com tanta violência?

LvT: Ah, sim, com certeza. Mas se você pensar em todas essas imagens que vemos na vida real, acho que dá para mostrar qualquer coisa. Mesmo assim parece que há um limite quando se trata de ficção. É bem estranho.

RT: Você passou por um período de depressão há algum tempo. Como isso te afetou nesse filme?

LvT: Eu me senti como um velho que foi ajudado pelos atores durante o filme. Não estava no meu melhor, e não conseguia apreciar todas as coisas que normalmente eu gosto de fazer. Não conseguia dirigir e segurar uma câmera ao mesmo tempo. Não tinha a capacidade mental para isso. Já faço terapia há muitos anos.

RT: As pessoas estão te acusando de misoginia de novo. Você já perguntou a sua esposa o que ela acha do filme?

LvT: Não, mas normalmente não pergunto. Não acredito nela. Há muito tempo ela me disse “Porque você está tão deprimido? Você fez o melhor filme da sua carreira!” e eu respondi “Mas você ainda nem o viu”, e ela “Eu sei disso, mas eu tenho certeza”. Fala sério! Como posso confiar na opinião dela? Ela é sempre muito, muito positiva com relação a tudo que eu faço. Amo muito a minha esposa, ela é fantástica pois consegue apoiar qualquer coisa. Qualquer coisa mesmo. Mas eu não confio nela nesse sentido!

RT: Você acha que as pessoas vão detestar o filme?

LvT: Não penso nisso. Sempre me considero o próprio público. Que tipo de filme eu gosto de ver? Como gosto de ser provocado? Algumas pessoas dividem esse ponto de vista comigo, outras não. Graças a Deus que algumas pessoas pensam como eu! Essa ideia de Hollywood de que é possível atingir um público maior, e por isso saem fazendo testes com as pessoas para saber quando elas riem durante o filme, isso seria impossível pra mim.

RT: Você ficou chateado quando os críticos de Cannes riram da raposa falante?

LvT: Não estava na sala quando eles passaram o filme. Mas acho que posso perceber a diferença de um riso como aquele para a risada de alguém que já se predispôs a odiar o filme desde o começo.

RT: Mas a raposa pretendia ser uma piada?

LvT: Não, ela vem de uma jornada xamânica que eu fiz. Não no sentido de entrar em um avião! Sim, eu ainda tenho medo disso, mas no sentido de ter um tambor repetindo uma batida, e você entrando em um transe que te leva a esse mundo paralelo. E lá eu conversei com essa raposa que ordenou ganhar uma fala no filme.

RT: Ela disse mais alguma coisa?

LvT: Na verdade a primeira raposa que encontrei foi uma raposa vermelha. E logo ela começou a se despedaçar. Depois disso, encontrei um monte de outras raposas. Raposas prateadas com pequenos filhotes. E essas me disseram “Nunca confie na primeira raposa que você conheceu”. Foi interessante.

RT: O filme fala sobre uma jornada xamânica?

LvT: Isso seria muito legal, uma jornada xamânica é algo muito pessoal. Não tem nada de religioso nela, mas é muito boa.

RT: Qual é o seu animal xamânico?

LvT: Uma lontra. Pois é! Não é algo que você possa decidir. Apenas aparece.

RT: O que você fará agora?

LvT: Não sei. Não faço a menor ideia. Nem penso em fazer outro filme no momento. Não tenho nada em mente. Gosto de jardinagem. Costumo sentar no meu jardim, é sempre muito tranquilo. Sou um homem da natureza. Passo o maior tempo possível na natureza. É o lugar onde me sinto mais seguro."

Fonte: http://portal-cinefilo.com/


Pois bem, aqui está a visão do homem. Ainda acredito que é apenas uma ilusão doentia de uma mente com problemas no momento.

Nota 5.0

Vejo vocês depois.

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