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Bem-vindo ao CINEMA NAÏF. Aqui você encontra as últimas críticas feitas por aqueles que não entendem nada de cinema.

Nossa meta: assistir 1001 filmes durante esse ano de 2010.

26, 27 e 28. Made in U.S.A., Elogio ao Amor e O Dêmonio das Onze Horas



"Somente para maiores de 230 de QI"

Hoje eu farei algo bem diferente. Nada de sinopses e de comentários sobre a cena tal ou o ator fodão. Hoje nós estamos falando de Jean-Luc Godard. Aí a coisa toda é mais embaixo.

Fui convidado por uma amiga querida (e na verdade a mente técnica por trás da criação desse blog) a assistir a uma amostra que está ocorrendo na Caixa Cultural, no Rio de Janeiro sobre os 80 anos do diretor, e como não conheço muito do trabalho dele, resolvi ir. Afinal qualquer fã de cinema que se preze tem que conhecer alguma coisa dele.
O problema foi que eu não lembrava o porquê de ter visto tão poucos filmes, afinal, eu não ouvi falar da Nouvelle Vague (que em breve ganhará seu espaço aqui) e seus grandes nomes há pouquinho tempo. Só que aí eu lembrei.
Lembrei que tinha medo dos filmes do cara. Medo mesmo. Medo de, por mais que eu tente me aprofundar no assunto, nunca conseguir entender direito o que um diretor pode fazer (e passar) em um filme.
E hoje foi um dia de Godard. Um dia para ficar feliz, pois vi que evoluí com tempo, aprendi a enxergar imagens que antes eram borrões.
Entendem?
A ver uma crítica no que antes era um comentário qualquer; uma ironia em um título, sendo que antes eu me perguntaria "mas qual é o motivo disso, meu Deus?".

Por outro lado, também foi dia de ver que eu definitivamente não sei nada. Zilhões de coisas que antes eu não captava e agora consigo "pescar no ar" ainda não fazem sentido para mim.
Frases entrecortadas por sons externos; uma linha de tempo para a evolução da história que segue de todas as maneiras, menos a linear; a repetição incessante de algumas falas e algumas vezes até das cenas; ou então, é o contrário, um personagem muda de um cenário para o outro sem qualquer explicação. A imagem que some enquanto o diálogo continua, o foco em excesso ou em falta nos atores durante as cenas, o filme sendo contado em discurso indireto! Pelo amor de Deus, tem que ter bolas de aço para contar a história de UM FILME em DISCURSO INDIRETO!

Mas, conversando com essa amiga minha, ela me disse que "é necessário ver os filmes do Godard muitas vezes para você conseguir ir entendendo". E é verdade. Muito provavelmente quando (e se! Não sei se meu cérebro aguenta esse estupro mental várias vezes) eu os vir de novo vou perceber coisas que me passaram loooooonge dessa vez.
Vamos lá, nem tudo são trevas. Existem coisas (poucas) que eu percebi e entendi o motivo de primeira. O amor absurdo pela França representado em todos os filmes (desde uma gravata de Jean-Paul Belmondo até uma roupa completa em azul, branco e vermelho de Anna Karina); a implicância ferrenha com Hollywood (e com os EUA em geral; afinal, brasileiros e mexicanos são americanos. Como se chamam os americanos nascidos nos Estados Unidos?); o gosto por enredos mais satíricos (Pierrot, le Fou valeu meu dia por inteiro!); a fixação pelas obras de Lenin, dentre vários outros pequenos detalhes que muitas vezes são desconsiderados mas que fazem toda a diferença.
Dessa vez eu também vou me abster de dar nota ou deixar qualquer pergunta no ar.
É engraçado que Godard é um dos grandes deuses do cinema (uma vez voltando para casa, eu ouvi a seguinte frase: "(...) mas o cara é muito foda! Ele é quase um Godard!"). Eu realmente me pergunto se as pessoas conseguem capturar o que ele quer dizer, ou se só o fato de elas não entenderem já as fazem transformar o cara em um ser fodástico. Se bem que só por você perceber que ele quis passar algo, por mais que você não saiba o que é, já dá um gosto diferente no filme.
Então dessa vez eu também vou me abster de dar nota ou deixar qualquer pergunta no ar. Não me arriscaria a colocá-lo em uma escala de zero a dez. Talvez quando eu conhecer melhor o Cinema em si. Não hoje.

Então só me resta a despedida. Até a próxima.

25. A Bela Junie



"Um filme tentador. Tenta, tenta, tenta, mas não chega lá."

Sinopse: "Junie (Léa Seydoux) é uma garota de 16 anos que se mudou após a morte de sua mãe. Ela passa a estudar na mesma turma que seu primo Matthias (Esteban Carvajal-Alegria), que a apresenta aos demais colegas. Todos os garotos logo desejam sair com June, mas ela escolhe o mais calado de todos, Otto Clèves (Grégoire Leprince-Ringuet). Porém logo Junie descobre o grande amor de sua vida: Nemours (Louis Garrel), seu professor de italiano."

Costumo ser bastante fã dos filmes do Honoré. "Em Paris" foi meu primeiro filme dele e até agora considero o melhor. "Canções de Amor" me fizeram querer aprender francês para cantar as músicas junto.
Então fui eu todo empolgado assistir a "A Bela Junie" e... fuéfuéfué... decepção. Nem o elenco fixo do diretor conseguiu segurar o filme, que aliás está parecendo os filmes orientais em que o elenco não varia, como se pode ver em "O Tigre e o Dragão/Memórias de uma Gueixa".
Vamos por partes. Em uma história absurdamente enfadonha, Louis Garrel, a definição do borogodó de acordo com uma amiga minha, está simplesmente apagado. Tenho a impressão de que ele acordava durante os dias de gravação pensando: "Não quero ir trabalhar hoje. Ah, vou fazer de qualquer jeito e voltar logo pra casa."
Eu estava aqui a refletir comigo mesmo que talvez todo o sex appeal de Garrel tivesse um motivo. Ele sempre está muito bem quando o personagem interpretado é um adulto (que se acha adolescente) inconsequente e desajustado. Talvez esse seja o forte dele, é nesse momento em que ele se acha e todos os cinefilozinhos suspiram na cadeira do cinema. Mas me bateu um medo agora que ele seja ator de um personagem só. Porque em todos os filmes que interpreta um tipo diferente, como esse em que ele é um professor de italiano, ele me parece completamente esquecível. Espero que não seja bem assim, espero que esse tenha sido realmente o pior filme dele, e só.
Junie, nossa protagonista, é alguém inagavelmente bonita, porém irritante na mesma proporção. Quando a vimos pela primeira vez, ela tem um charme absurdo, mesmo com seus cabelos que parecem que não vêem um cuidado há alguns anos. E até aí está tudo bem, até que ela abre a boca. Ela é simplesmente um personagem chato. Suas dúvidas e sofrimentos pseudo-complexos fazem quem assiste ficar pensando se trancou a porta de casa antes de sair ou que está com muita fome. Atenção zero.
Ela então se torna perfeita para se relacionar com o personagem chato de Louis garrel.
A partir daí, temos então uma surpresa com Grégoire Leprince, o garoto que se mete na relação dos chatos. Eu pensei que seria a pior de todas as suas atuações e que ele nunca conseguiria se livrar de toda a aura gay possuída em "Canções de Amor". E não é que ele estava razoavelmente bem no filme?! Conseguiu dar um "quê" a mais em mais um personagem chato.Não vou nem falar do fim que o personagem levou, simplesmente dispensável.
Já que falei em aura gay, conversemos sobre o diretor. Honoré precisa se livrar dessa mania que adquiriu, agora em todos os seus filmes existe um "núcleo gay". Fica bom em um filme ou outro, mas a minha forma de ver é que essa é a maneira ideal de ele expressar sua sexualidade, por mais que fique perdido no roteiro, como pareceu no enredo em questão.
Mas ele tem lá suas qualidades. O diretor é ás na arte de mostrar uma Paris invejável. Todas as cenas têm um fundo que te fazem desejar estar lá. Além disso, ele tem uma equipe que escolhe uma trilha sonora que sempre me dá arrepios (em um bom sentido). E eu particularmente acredito que uma boa trilha sonora faz o filme.

De resto, nada mais a acrescentar. Novamente voltamos a questão do: quão influenciável é o gosto por um filme? Porque eu gosto muito do diretor, fui acreditando que iria gostar muito... e quebrei a cara.

Nota 6.2

Minha primeira nota baixa. Esperava bem mais.

Vejo vocês depois.

24. Sindicato de Ladrões


"Tudo Sobre Traição"

Sinopse: "Terry Malloy (Marlon Brando) é um ex-boxeador que costumava ser grande, mas que se tornou pequeno ao entrar para a gangue exploradora de Johnny Friendly (Lee J. Cobb). Quando uma trabalhador inocente morre, Terry sente-se culpado e começa a tentar consertar suas ações passadas lutando diretamente contra o sindicato, sofrendo também as conseqüências. Durante a luta, acaba por se apaixonar pela irmã do falecido, a jovem e inocente Edie Doyle (Eva Marie Saint)."

Uma das inúmeras qualidades do Cinema é que é possível ter aulas sobre vários temas (História então...) de uma maneira bem interessante. E "Sindicato de Ladrões" dá uma aula sobre a época anticomunista estadunidense, trabalhando em cima de um roteiro que não poderia apresentar falhas.
Para quem não sabe, esse filme foi feito bem na época em que até uma cadeira poderia ser levada a julgamento se aparentasse qualquer relação com o comunismo (a famosa Caça às Bruxas). E quando o roteiro foi escrito, se eu não me engano vários amigos e conhecidos (inclusive outros diretores) de Elia Kazan estavam sendo julgados, e o diretor desse filme testemunhou no "Tribunal Anticomunista".
Daí vem o tema sobre traição que ronda toda a história, o medo e ao mesmo tempo a necessidade de "abrir o bico", a tentativa de transformar o "dedo-duro" em bom moço.
É completamente aceitável o comportamento da maioria dos personagens ao tratarem Terry (Brando, brilhante como sempre) de maneira hostil. Quer dizer, eles sempre ficarão divididos entre fazer o certo ou preservar as próprias vidas. Ainda assim, enquanto o diretor consegue passar essa visão, ao mesmo tempo ele também faz quem assiste ter uma leve tendência a não lidar muito bem com certas atitudes dos companheiros do protagonista. Como por exemplo a cena em que seu fiel escudeiro, o menino que o ajudava a cuidar de seu pombal, mata todos os seus pombos, alegando "uma traição por outra".
Apesar de nem todo o filme ter sido uma grandíssima "sacada", com cenas em que eu me pergunto se as novelas mexicanas não se baseiam (a cena da morte do irmão de Edie - Eva Marie Saint não muito marcante na minha opinião - na qual ela procura a luz no cenário e consequentemente fica de costas para o personagem com quem conversava), ele tem cenas muito inteligentes.
A cena em que Terry Malloy admite para Edie que estava envolvido com a morte de seu irmão, por exemplo. A maneira como o espectador não é permitido ouvir sua confissão, abafado por sons de um navio para mim é uma idéia brilhante de o diretor lidar com a realidade. Um jeito perfeito de fugir da possível culpa que teria.
(Aliás, vale a pena levantar a questão da culpa e religião, muito esperto usar a imagem de Deus para alcançar a consciência das pessoas no filme.)
Outras cenas menores também merecem atenção, mais devido à atuação grandiosa de Brando (não adianta, eu sou suspeito). Cenas como a do bar, na qual ele se sente culpado por não ajudar a garota por quem vem a se apaixonar, ou ele brincando com as luvas dela na praça, ou até mesmo naquele fim simbólico em que ele evoca seu antigo lutador de boxe e líder ao mesmo tempo para chegar ao posto de trabalho.
O que realmente me deixou meio incomodado com o filme foi uma coisa: uma das cenas mais faladas do Cinema sobre esse filme é a cena do táxi, em que ele e o irmão conversam no banco de trás. Só que aquela cena para mim não teve nada fora do normal. Alguém pode me dizer qual é o ponto que eu perdi nessa cena?

Darei nota 9.0

Não adianta, o cinema clássico para mim sempre será mais original que o atual.

Volto em breve.

23. Janela Indiscreta



"Voyeurismo e Suspense? Somente com o Mestre"

Sinopse: "Em Greenwich Village, Nova York, L.B. Jeffries (James Stewart), um fotógrafo profissional, está confinado em seu apartamento por ter quebrado a perna enquanto trabalhava. Como não tem muitas opções de lazer, vasculha a vida dos seus vizinhos com um binóculo, quando vê alguns acontecimentos que o fazem suspeitar que um assassinato foi cometido."

Não existe nada tão bom, nada que prenda tanto alguém numa cadeira quanto um filme de suspense bem feito. E Hitchcock era simplesmente O CARA na hora de fazer um desses. Tanto que "Janela Indiscreta" foi tudo que ele quis que fosse, sem decepção alguma.
Do começo ao fim você se sente parte do mundo de James Stewart, você se sente culpadamente bem em assistir a vida dos outros. Uma bela maneira de afastar o tédio, seu e do protagonista. Quase um Big Brother versão clássica (e um milhão de vezes melhor).
É muito assustador ver como é só pôr um homem, um binóculo e uma perna quebrada para uma história de suspense se desenvolver naturalmente. Nada, simplesmente nada nesse filme me parece forçado. Cada história que Jeff, nosso voyeur principal, acompanha aparenta uma realidade bem... normal.
Tão normal que é incrível (e brilhante da parte de Hitchcock) ver como, por mais que um possível assassinato esteja ocorrendo em uma das janelas (aliás, falarei depois do cenário ridículo de perfeito que foi criado para o filme), as "vidas" das janelas ao redor continuam seguindo como se nada estivesse acontecendo. Porque é como se não estivesse mesmo.
Por mais que sejam várias vidas em uma história, são vidas independentes. Perfeita a maneira de capturar essa idéia.
Falando do cenário agora. Toda a história se passa através de uma janela, dentro de um apartamento. São uma ou duas cenas em que o "ponto de vista" da câmera muda. Quer algo mais voyeur que isso? E aquelas milhares de janelas que dão vida à "janela-olho"? Uma vizinhança minúscula em que algo sempre está em andamento. Uma espécie de gueto. Tudo possível de ser observado de um ponto específico.
Além disso, o fato de em nenhum minuto o personagem de Stewart sair do apartamento, tudo que era feito, era por terceiros e observado por ele, sentado na cadeira de rodas dentro daquele apartamento...
O poder que o nome Hitchcock evoca tem um claro motivo.
As atuações do filme são ideais, nem mais nem menos. Desde a enfermeira Stella até a bailarina festeira, passando pela "Miss Lonely Heart" e o casal insaciável. E Grace Kelly nunca esteve tão linda em um filme Technicolor. Além de dar luz a um personagem extremamente charmoso e sagaz.
Não sei mais onde posso elogiar esse filme. Meu sonho impossível era o de um dia assistir a Hitchcock gravando uma cena que fosse.

Esse filme merece nota 9.6, com orgulho.

A pergunta que fica é: qual o segredo para se fazer um bom filme de suspense? E esse segredo está perdido nos dias de hoje?

Volto depois.

22. Lula, o Filho do Brasil



“E o trabalho sujo seria meu”

Sinopse: 1945, sertão de Pernambuco. Menos de um mês após Aristides (Milhem Cortaz) partir para São Paulo com uma mulher bem mais nova, dona Lindu (Glória Pires) dá a luz ao seu sétimo filho: Luiz Inácio da Silva, que logo ganha o apelido de Lula. Sem ter a quem recorrer, Lindu cuida da família sozinha. Três anos depois Aristides retorna, acompanhado de Sebastiana, sua filha. Uma semana depois ele parte mais uma vez, deixando o bebê e levando consigo Jaime (Maicon Gouveia), o segundo filho mais velho. Durante a seca de 1952 a família recebe uma carta de Aristides, chamando-a para viver com ele em São Paulo. Lindu vende tudo o que tem e viaja para São Paulo, junto com os filhos. Ao chegar descobre que a carta era falsa. Quem a escreveu foi Jaime, que já não aguentava mais os maus tratos do pai. A família passa a viver em Santos, onde Aristides vivia com outra mulher e trabalhava como estivador. Vivendo em condições precárias, a família ainda precisa lidar com a crescente violência de Aristides.

Semana passada foi aniversário da minha avó e, sem se sentir nem um pouco culpada, ela soltou de imediato: “Bel, vamos ao cinema hoje? Quero muito assistir Lula!” Eu tentei entender o porquê da tamanha vontade em assistir esse filme, mas ela não conseguiu me explicar direito não. Por último eu decidi consentir, afinal era aniversário dela e o meu presente foi o mesmo de todos os anos: o seu perfume (que, por sinal, estava quase cheio na mesa da pia).
Ah, mas eu não passaria por isso sozinha, fiz questão que o meu irmão fosse junto. Se eu estava me sentindo culpada por ter dado o mesmo presente todos os anos, ele deveria se sentir ainda mais, pois nem presente ele havia comprado! Desse modo, estávamos lá: eu, meu irmão, minha avó e TODAS AS VELHINHAS DO MEU BAIRRO no cinema. (ps: elas são incapazes de entender que há lugares marcados no cinema. Os atendentes da bilheteria tinham que explicar melhor isso para elas. Aquilo que elas escolhem na telinha NÃO É BINGO! É o lugar em que você vai se sentar no cinema, meu Deus!)
Antes eu vou explicar o motivo do meu desespero com filmes desse tipo. Há aproximadamente 4 anos, a minha avó me convenceu a assistir “2 Filhos de Francisco” com ela. Não me entendam mal, não é que o filme seja ruim. O roteiro pra mim é fraquinho, mas inegavelmente é um filme bem feito. O problema é que eu fiquei com aquela voz estridente daqueles garotos cantando “No dia em que eu saí de casa...” umas duas semanas na minha cabeça. E, sinceramente, esperava pior de “Lula, o filho do Brasil”. Muito pior.
O filme começou e eu senti de imediato um déjà vu de 4 anos atrás. A fotografia é muito similar e as cenas muito curtas estão presentes em ambos os filmes. Odeio história muito cortada. Isso não deixa o filme correr de forma natural, não deixa os sentimentos se desenvolverem e, sinceramente, sempre me passa a imagem de desleixo para com o filme. E eu acho que vocês já sacaram o quanto eu gosto de algo bem feito e bem pensado.
Assim como “2 Filhos...”, “Lula,...” tem um roteiro bem fraquinho. O objetivo deles é claro: fazer com que você sinta pena do Lula. Talvez seja por isso que, no final, vi muitas velhinhas chorando... Então, se esse era o objetivo principal do filme, digo que nem isso eles fazem direito. Deveriam ter explorado melhor os momentos tristes, mas sabemos bem que isso é impossível com cenas muito curtas. Para isso eles deveriam ter se garantido mais no silêncio, mas acho que eles tiveram medo de se garantir na atuação. Não que o ator que faz o Lula interprete mal. É muito fácil entender porque ele foi escolhido: em alguns momentos ele é a cara do Lula! Até a voz é similar! Contudo, o que me pareceu é que a direção não quis se garantir nele. Não quiseram arriscar. Um erro pra mim.
Além disso, o que chama muita atenção no roteiro é a forma com que ele foi escrito. Falas forçadas daquele tipo que ficam muito bonitinhas no papel, mas que você não consegue imaginar alguém falando são comuns nesse filme. O sotaque nordestino com algumas palavras muito cariocas e atuais para a época me chocou. Será que ninguém havia observado isso antes?
Contudo, “Lula,...” tinha uma arma muito poderosa nesse filme: Glória Pires! Para mim, eis a melhor atriz do cinema brasileiro. Sim, ela definitivamente não sabe escolher filmes, mas sabe bem o que faz. Com aquelas falas mega forçadas, ela era a única que conseguia torná-las um pouco mais usuais. E, eu garanto, isso deve ter sido muito difícil.
Por outro lado, tivemos o desprazer de observar a atuação da filha dela. (e tudo começa a ser bem claro quando descobrimos que Orlando Moraes é um dos produtores associados do filme...) Cléo Pires representando uma nordestina pobre da década de 60 é hilário! É incrível como nunca consegue deixar de ser uma carioca rica do século XXI. Não importa o quanto ela se esforce. (e a impressão que eu tenho é que ela não se esforça muito não...)
Por último, não posso deixar de comentar o que tudo mundo fez questão de falar quando o filme saiu. Sim, me parece ser muito jogada política um filme com o nome “Lula, o filho do Brasil” ter sido lançado em ano de eleição. No começo do filme eles perdem muito tempo mostrando todos os trocentos patrocinadores a fim de deixar muito claro que não há dinheiro público nisso. Sinceramente, isso não me diz nada!
Entretanto, assistindo o filme, essa idéia de jogada política não veio a minha cabeça momento algum. A história termina antes de ele entrar na política e, na verdade, eles meio que deixam claro que esse não é o foco do filme. Querendo ou não, o senhor Luiz Inácio da Silva tem uma história de vida merecedora de filme. Muito mais que os senhores Zezé di Camargo e Luciano. É impressionante ver de onde ele saiu e onde hoje chegou. Não importa o que ele faça hoje, sempre será impressionante. Todavia, não posso deixar de concordar com uma amiga minha: esse filme faria muito mais sentido depois da morte do Lula.

Minha nota? 6,0
E minha pergunta? Por que minha avó só me leva para ver filmes que eu não quero ver? Mentira! Minha pergunta é muito simples: quero saber qual é a opinião de vocês sobre o lançamento desse filme justamente nesse ano de 2010.

Beijos e até a próxima. (que não demorará muito, garanto! Agora estou no Rio de vez... =/)

21. Amor Sem Escalas




“Pese a sua mochila!”

Sinopse: Pago para viajar pelos Estados Unidos despedindo funcionários de empresas
em crise, Ryan Bingham sempre se contentou com um estilo de vida desapegado, passado em meio a aeroportos, hotéis e carros alugados. Ele consegue carregar tudo o que precisa em uma mala de mão, é membro de elite de todos os programas de fidelidade existentes e está próximo de atingir 10 milhões de milhas voadas. Mas quando o chefe de Ryan, inspirado por uma eficiente e novata funcionária, ameaça mantê-lo permanentemente na sede da empresa, ele se vê entre a perspectiva – ao mesmo tempo aterrorizante e agradável – de ficar em terra firme, contemplando o que realmente pode significar ter um lar.”Up in the Air” de Jason Reitman(2009). Com George Clooney, Vera Farmiga e Anna Kendrick.




Quando eu vi o trailer de Amor Sem Escalas [novo filme do diretor de Juno!] há alguns meses atrás eu tive certeza que ia gostar do filme. Quando eu comecei a ver a repercussão do filme e suas possíveis indicações ao Oscar a minha certeza aumentou. E fui pro cinema assim: animadíssima e ao mesmo tempo apavorada, afinal um filme com tantas expectativas prévias está fadado ao fracasso. Pois não é que Amor Sem Escalas conseguiu superar as minhas altíssimas expectativas.
Numa época pouco empolgante no cinema Amor Sem Escalas é com certeza uma exceção. Com um enredo não muito elaborado, a sinopse e a esdrúxula tradução do título podem enganar uns desavisados de que se trata de mais uma comédia romântica boba que entopem os cinemas todos os anos. Apesar de ter sim uma pitada de romance a história de Ryan Bingham que passa a vida viajando pelos EUA para demitir pessoas e ama o que faz vai muito além disso. Aqueles que estão em busca de um romance, devo alertar: esse não é o seu filme!
Na verdade, Amor Sem Escalas é um filme sobre solidão. Num mundo em que dinheiro e sucesso são as maiores preocupações das pessoas, principalmente na sociedade americana, esse filme vem para quebrar esses dogmas e fazer você refletir sobre o que é realmente importante. Apesar de algumas [poucas] vezes isso seja abordado de forma exagerada, o filme cumpre seu papel. E isso graças aos personagens escritos brilhantemente que poderiam ser um vizinho ou um amigo seu e ao elenco maravilhoso recrutado por Mindy Marin. As “novatas” Anna Kendrick e Vera Farmiga são maravilhosas surpresas como a eficiente nova jovem e sonhadora funcionária da empresa de Ryan e a executiva de sucesso que é quase um versão de saia do próprio Ryan, respectivamente.
O roteiro é escrito por Jason Reitman é delicioso fazendo você viajar com os personagens e sentir-se na posição deles a cada demissão nova. Com um humor sutil como a referência a crise econômica que assolou principalmente as terras do Tio Sam. De Juno Reitman trouxe Jason Bateman e J. K. Simmons em participações pequenas, mas sempre marcantes. É praticamente uma receita para o sucesso, não? E não é à toa que o filme ta levando muitos do principais prêmios da indústria cinematográfica. Resta saber se ter um bom roteiro e um excelente elenco será o suficiente para fazer Amor Sem Escalas desbancar o gigante Avatar nessa corrida do Oscar.
Assim, despretensiosamente, Amor Sem Escalas consegue ser um filme gostoso e de se ver, mas que faz você sair do cinema pensando: Que rumo estou dando para a minha vida?

Nota: 9,5 [só por que eu não gosto de dar uma nota tão alta ainda no início do ano]

Recomendadíssimo!

20. O Selvagem


"Marlon Brando como ícone do cinema"

Sinopse: "O selvagem é hoje um clássico do melhor cinema de todos os tempos.
Marlon Brando interpreta o papel de Johnny, o líder de um grupo de jovens inconformistas e desordeiros que invade uma pequena cidade da Califórnia com as suas motocicletas. Kathie (Mary Murphy), uma rapariga local, fará com que Johnny comece a ver se as coisas de outra forma.
Mas, quando Johnny está disposto a mudar, vai ter de enfrentar a incompreensão de todos e, principalmente, Chino (Lee Marvin), o seu pior rival."

A época em que o cinema hollywoodiano resolveu enaltecer a imagem do rebelde com coração coincidiu perfeitamente com a época ideal para um astro mostrar seu potencial.
Tenho que dizer que considero Marlon Brando a Audrey Hepburn em versão masculina. As câmeras nunca terão tanta sorte ao ter um close de rosto tão bom quanto tem no dele.
E apesar de hoje em dia apenas ser bonito já bastar, ele sabia atuar.
Uma característica que era adorada por conhecedores de cinema e eu percebi ser verdadeira é que ele até agora se mostrou o melhor na arte de expressar uma emoção facial. Não era necessário abrir a boca em várias cenas, somento um close no rosto dele e bam! Estava lá tudo o que o roteiro queria passar.
E nesse filme não é diferente. Iniciando com uma música de tensão e um aviso ao espectador, além de uma breve introdução à história do personagem principal, o que mais me chamou a atenção é que durante um bom tempo no início do filme os seus "capangas" falavam por ele.
Brando mostrando que a atuação definitivamente não se resume somente a palavras.
E me desculpem, mas eu tenho que citar a beleza do cara. Não é à toa que graaaande parte dos produtos destinados a cinéfilos levam a foto deste filme. Porta-copos , pesos de papel, agendas... É só fazer referência à beleza do cinema antigo que definitivamente a foto de Marlon Brando em "O Selvagem" vem a cabeça.
Aliás, será que eu fui o único que percebeu uma leve semelhança entre a cena de abertura desse filme e a famosa cena de Brad Pitt em sua motocicleta em "O Curioso caso de Benjamin Button"? Particularmente, eu duvido que tenha havido qualquer tipo de coincidência aí.

Voltando ao filme, ele em si é de uma época em que o Cinema adorava um bom bagunceiro. Eu por muitas vezes durante o filme me lembrei da famosa "galera do fundão" da época de Ensino Fundamental/Médio. Talvez tenha sido um filme com o intuito de fazer Brando brilhar. Mas tudo bem, se ele não o tivesse feito, o filme não seria lembrado como é até hoje.

Darei nota 8.3

(Eu sou uma pessoa benevolente, o que posso fazer?)

Vejo vocês mais tarde.

19. Nine

“Be a singer be a lover / Pick the flower now before the chance is past/ Be Italian/ Be Italian/ Live today as if it may become your last!”

Sinopse: O diretor de cinema arrogante e egocêntrico Guido Contini encontra-se lutando para encontra significado, propósito e roteiro para a sua tentativa de próximo filme. Com apenas uma semana para começar as filmagens, ele procura deseperadamente respostas e inspiração de sua mulher, sua amante, sua musa e sua mãe. Enquanto sua profissão caótica destrói progressivamente sua vida pessoal, Guido precisa encontrar um equilíbrio entre criar arte e sucumbir às suas demandas obsessivas. Baseado no musical Nine, por sua vez inspirado no filme 8½, de Federico Fellini. "Nine" de Rob Marshall (2009). Com Daniel Day-Lewis, Penelope Cruz, Marion Cotillard.




Nine é um filme que tem tudo para dar certo. Elenco de primeira com o diretor de Chicago e baseado no premiado musical homônimo da Broadway nine começou bem com um trailer com cara, cor e cheiro de ganhador do Oscar. No entanto, apesar do elenco dos sonhos [Daniel Day-Lewis, fantástico como sempre, está o típico italiano!] que pode sim cantar [Kate Hudson surpreeendente] o filme não chega a ser um musical marcante. Das músicas somente duas [Cinema italiano e Be italian] empolgam e deixam você sair do cinema cantarolando. E um filme em que o foco é para ser as músicas e danças o que mais me encantou foi a direção de arte bellissima como diria um italiano do já ganhador do Oscar na mesma categoria, também por Chicago, Gordon Sim.
Devo acrescentar mais algumas linhas para elogiar a interpretação de Daniel Day-Lewis com o sotaque perfeito e até o modo de andar de um italiano. O momento que ele fica de barba e cabelo grandes, OMG! Daniel é um dos poucos atores da atualidade que conseguem realmente se transformar em seu personagem fazendo aqueles que não o conhecem nem perceberem que é a mesma pessoa tamanha a metamorfose. Não posso desmerecer no entanto a parcela femenina de peso do elenco que trouxe interpretações fortes e consistentes, porém nada extraordinárias, e vozes lindíssimas algumas até surpreendendo como Kate Hudson que carrega a única canção indicada ao Globo de Ourouma vez que é a única escrita especificamente para o filme.
Como eu já disse Nine é um filme esteticamente bonito. Do cenário do grande teatro a Itália antiga e o jogo de luz e cores é um refresco aos olhos, mas nada mais do que isso. A história tem uma premissa mais interessante do que realmente aparece e apesar das boas interpretações você não consegue se relacionar muito bem com os personagens freando aquele movimento catártico que é tão importante para poder amr-se realmente um filme. Em suma, Nine é um espetáculo, mas talvez fosse melhor mantendo-se aonde ele pertence: nos palcos.

Nota: 7,3 [PS: Devo acrescentar que as notas por aqui andam muito benevolentes]

Agora, o filme nos levar a refletir: Até que ponto um elenco grandioso e com boas interpretações podem carregar um filme?

18. Caramelo


"Um Filme que Diz sem Falar"

Sinopse: "Beirute. Cinco mulheres costumam se encontrar regularmente no salão de beleza Sibelle: Layale (Nadine Labaki), amante de um homem casado e que sonha com o dia em que ele se separará; Nisrine (Yasmine Elmasri), que está prestes a se casar mas não é mais virgem e não sabe como contar isto ao noivo; Rima (Joanna Moukarzel), que sente atração por mulheres; Jamale (Gisèle Aouad), que tem medo de envelhecer; e Rose (Sihame Haddad), que abriu mão de sua vida para cuidar da irmã mais velha. No salão os temas prediletos do quinteto são o amor, sexo e os homens."


Filmes que contam sobre amor e amizade geralmente estão entre os que gosto de assistir e esse não foi uma exceção.
"Caramelo" é um filme bonito de se assistir. É o tipo de filme que diz mais no silêncio que nas falas. Como a personagem Rima, por exemplo. Ao percorrer do filme, ela apresenta pouquíssimas falas e ainda assim é um personagem extremamente fácil de se identificar com, ou mais, de se comover. São histórias que no amor, são felizes quando falam e tristes em silêncio. Na amizade, se reconhecem na alegria e na tristeza e estão lá uma pela outra.
É maravilhoso um filme conseguir mostrar isso tudo sem precisar ficar se enrolando. Só com um movimento, ou a câmera captando um determinado lance... É assim que "Caramelo" funciona.
Não vou mentir, durante a primeira meia hora de filme, fiquei me perguntando o que aconteceria de interessante ali, se seria um filme que valeria a pena continuar assistindo. E é engraçado que sempre que eu me pergunto isso, o filme que estou assistindo de alguma maneira sempre resolve me surpreender, e esse me surpreendeu com uma das cenas mais bonitas que eu já vi em um filme.



http://www.youtube.com/watch?v=1wpCLAkInMg


A partir daí , eu comecei a ver o filme não como "algo para acontecer" e sim como "uma história sendo contada". E então eu comecei a ver a riqueza de cada história, que não se aprofunda em nenhuma delas em questão de roteiro, mas que em cada cena, em cada iamgem te faz conhecer um pouquinho mais de todas elas.
Existiram outros vários pontos marcantes como a beleza das cores do filme (Caramelo!), as atuações (que não brilha somente pelas quatro amigas donas do salão, mas também pela sofrida "Tia Rose" e até sua irmã, que a hostiliza sem ter muita noção do que faz), e, repetindo, a maneira quieta porèm marcante de contar a história.

Esse filme me ganhou aos poucos. Merece nota 9.0

OBS.: Desculpa, mas eu só achei o vídeo com legenda em francês. Mais tarde eu vejo se consigo arranjar uma tradução e ponho por aqui.

Até a próxima. Agora falta menos.

17. Uma Prova de Amor



"Uma Nova Geração que Merece seu Espaço"

Sinopse: "Sara (Cameron Diaz) e Brian Fitzgerald (Jason Patric) são informados que Kate (Sofia Vassilieva), sua filha, tem leucemia e possui poucos anos de vida. O médico sugere aos pais que tentem um procedimento médico ortodoxo, gerando um filho de proveta que seja um doador compatível com Kate. Disposto a tudo para salvar a filha, eles aceitam a proposta. Assim nasce Anna (Abigail Breslin), que logo ao nascer doa sangue de seu cordão umbilical para a irmã. Anos depois, os médicos decidem fazer um transplante de medula de Anna para Kate. Ao atingir 11 anos, Anna precisa doar um rim para a irmã. Cansada dos procedimentos médicos aos quais é submetida, ela decide enfrentar os pais e lutar na justiça por emancipação médica, de forma a que tenha direito a decidir o que fazer com seu corpo. Para defendê-la ela contrata Campbell Alexander (Alec Baldwin), um advogado que cuidará de seus interesses."

"Uma Prova de Amor" é o perfeito exemplar de "Como fazer um Filme de Drama, por Hollywood". Só que quando já se está imune a isso não em tanta graça, não é? E ainda ajuda a perceber certas falhas.

Vamos lá, começando pelos defeitos.
Se o objetivo do filme era o de trabalhar uma relação familiar (como o roteiro deste fez questão de enfatizar) e mostrar como ela vai evoluindo e ao mesmo tempo se destruindo ao lidar com o maior de seus problemas - o câncer da filha mais velha - quem criou a história pecou em vários aspectos.
A começar pela falta de comunicação entre os membros desta família. Como muitos talvez tenham achado, dá a entender que essa falta de interação talvez seja o método perfeito para aparentar que todo o foco dos pais estava na doença da filha, gerando um certo descaso com relação aos outros; mas depois de um um tempo assistindo, o que me aparentou foi que o roteiro estava falho mesmo.
Uma das cenas que corrobora o que eu digo é a cena em que o filho sai de casa escondido. Quer dizer, por mais que um pai esteja desesperado que uma filha sua tem câncer, não saber que seu filho não estava em casa? Ainda mais com a expressão nítida dele de "estou mentindo"? Aliás, toda aquela cena me pareceu forçada, a suposta falta de atenção para com o garoto... Não me convenceu.
Outra e das piores foi a falta de uma cena em que os pais simplesmente sentam com a filha mais nova (a que decidiu não ajudar mais a irmã e entrar com uma ação contra os pais) e tentam entender o porquê diabos ela tomou aquela atitude. Pelo amor de Deus, que pais sofrem um processo da filha de 11 anos e não tentam conversar para saber o que está acontencedo? Não, foi tudo logo para o tribunal.
Como eu disse, talvez dê a entender que os pais estavam tão preocupados com a filha doente que talvez tivessem deixado os outros filhos "de lado". Mas todo o roteiro faz questão não só de de mostrá-los como uma família unida (na medida do possível) diante do problema como também tenta humanizar o lado dos pais ao tomar determinadas atitudes.
Só que pais humanos também tentam entender o ponto de vista dos outros filhos e resolver o problema, mas nesse filme, puf! Nunca aconteceu.
O que me deixa mais indignado é que grande parte das cenas que eu sinto falta e que na minha opinião eram essenciais no desenrolar da história está toda no Menu "Cenas Adicionais". Putz, como alguém faz a edição de um filme e deixa cenas tão importantes de fora?
Só que esse filme, como um filme de altos e baixos, tem seus altos também.
E os altos na minha opinião foram as interpretações e principalmente a interação entre os personagens juvenis (a atuação dos pais não é algo que seja digno de enaltação ou até mesmo de recordação, mas vamos lembrar que drama não é o forte de Cameron Diaz). As cenas em que os três estavam juntos, conversando ou algo do tipo, agradaram e comoveram, pelo menos a mim. Era bonito vê-los como irmãos, cada um esquecendo um pouco de si e lidando com o problema do outro. É legal saber que o Cinema em alguns anos estará em boas mãos.
Também gosto de o final não ter sido o final esperado. Um final feliz não marcaria tanto quanto um fim mais "real". Como já dito aqui, o Cinema não tem realmente nenhuma obrigação para com a realidade, mas não me agradaria assistir a "e viveram felizes para sempre" após todo o filme ser de "comeu o pão que o diabo amassou".
E só.

Nota 8.0

Volto daqui a pouco com outro filme para falar sobre.

16. A Proposta



"To the window, to the wall, to the sweat drip down my balls, to all you bitches crawl!"

Sinopse:"Quando a perigosíssima editora de livros Margareth (Sandra Bullock) se vê diante da deportação para o seu país de origem, o Canadá, a executiva de raciocínio rápido declara que na verdade está noiva de seu desprevenido e injustiçado assistente Andrew (Ryan Reynolds), que ela atormenta a anos. Ele concorda em participar da farsa, mas com algumas condições. O casal viaja para o Alasca para conhecer a excêntrica família dele e a "garota da cidade sempre no controle" se vê em diferentes situações cômicas. Com o casamento improvisado sendo organizado e o oficial de imigração atrás deles, Margareth e Andrew relutamente seguem seu plano, apesar das consequências."

Não adianta, a queridinha da América é minha queridinha também.
Não vou fazer comentários sobre o filme, que não tem nada fora do normal, com uma cena ou outra mais engraçada (o infarto da avó ou a dança da floresta), mas que no fim se resume a mais um clichê.
O que eu quero dizer é: eu realmente estava me perguntando o que Sandra bullock estava fazendo no Globo de Ouro concorrendo por papel em comédia por "A Proposta". Decidi assistir e encontrei a resposta.
Ela criou um personagem extremamente caricato, mas que funcionou muito bem. Tirando uma cena ou outra (a tentativa de imitar Meryl Streep como Miranda Priestley não funcionou muito bem), Bullock soube criar a diversão do filme, e eu realmente dei boas gargalhadas com ele. Tudo bem, eu tenho um fraco por comédias românticas com atores/atrizes que eu gosto, mas esse conseguiu se destacar um pouco.
Ou então o filme ainda está fresco na memória e parece melhor do que realmente é.
Ainda assim, como sempre, esse não é um filme inesquecível e o mesmo posso dizer da atuação do Ryan Reynolds (nunca achei ele um bom ator e não foi com esse filme que ele começou a mudar minha opinião), mas caiu bem para nossa Miss Simpatia. Ela com certeza se dá bem com comédias.
O que realmente me incomodou nessa história (e incomoda em algumas outras também) é como eles vão mudando as personalidades dos personagens para adaptá-los a um final "vendível". Entendem? Em três dias de história, a personagem principal muda de uma megera para um "ser humano adorável e cheio de problemas" para que no fim eles possam viver felizes para sempre.

Então... 8.2 para ele.

Agora vamos ver como se sai no drama, assim que o filme chegar nas grandes telonas brasileiras.

Até.

15. Avatar



"Pocahontas revolucionando o Cinema"

Sinopse: "No futuro, Jake é o ex-fuzileiro naval paraplégico enviado a um planeta chamado Pandora. Lá, além da riqueza em biodiversidade, existe também a raça humanóide Na'vi, com sua própria língua e cultura. O que evidentemente entra em choque com os humanos da Terra."

Avatar é um filme visualmente lindo de se assistir? Com certeza.
Ele é um filme monstruoso economicamente falando? Sem sombra de dúvida.
Avatar merece ganhar o Oscar? Desculpe aos que gostaram, mas não.

Avatar veio para mudar a história do cinema. James Cameron quando o criou sabia o que estava fazendo, ele sabia que iria criar um filme com uma fotografia e efeitos que seriam um marco na história da Sétima Arte.
O que eu acho ser o problema do Cameron é que ele acredita que dinheiro faz filme bom.Quer dizer, ele é do tipo que cria mega-produções, gasta um dinheiro que sustentaria um país de terceiro mundo fazendo um filme e acredita que isso é suficiente para ganhar prêmios e bater recordes. Quanto aos recordes, ok, ele lida com um povo consumista. É só saber vender bem o peixe, e isso ele sabe fazer.
Agora quanto aos prêmios... Eu acho que para ganhar o prêmio de Melhor Filme, um filme tem que ser inteligente ou no mínimo inovador. Com Titanic, ele foi esperto em ressuscitar uma história perdida com o tempo. Mas cá entre nós, o roteiro de Avatar é uma adaptação de Pocahontas!
O povo de cara azul e nome esquisito é o povo "bonzinho", ligado à natureza, que luta com arco e flecha, tem animal de estimação, só mata para se alimentar e conhecem bem o mundo verde em que vive, além de adorar uma deusa da natureza que (olhem que surpreendente!) fica do lado deles no fim.
Já os humanos (cara pálida!) são aqueles que destruíram o próprio mundo por ganância e agora estão invadindo outro em busca de uma pedra preciosa que se localiza abaixo do território do povo azul. Adivinhem só? 99% dos humanos acredita que os indígenas de outro mundo são bárbaros.





Pois bem, juro para vocês que só senti falta das músicas de Pocahontas ali (ou como diria uma prima minha, Porconhotas). E aí é que está a grande questão. O que seria de Avatar se não fosse toda a sua parte gráfica?
OK, pelo jeito que eu estou escrevendo, quem lê deve pensar: "Nossa, esse deve ser o pior filme de todos os tempos!". Não é assim, o filme é bem feito e talvez graficamente um dos melhores filmes de todos os tempos. Definitivamente são quase três horas de filme (outro tesão do James Cameron, filmes com mais de 2h30min de duração) que passam sem tortura. A minha implicância é que o filme ganhou o Globo de Ouro e tem grandíssimas chances de vencer o Oscar, pelo amor de Deus.
Anna já perguntou, mas perguntarei novamente: Será que a o Cinema agora tende para esse lado? A de inovação-não-inovadora?
Sabendo que tantos filmes menores, com uma produção modesta e ainda assim inteligentes podem diferir da grande massa de filmes "miolo de pão" (aqueles filmes que tentam te fazer engolir mas ficam presos na garganta), uma história como a de Avatar realmente merece levar o Oscar de Melhor Filme para casa?

Pois bem, minha opinião está dada. Uma nota? Hmm, 8.5
Como eu disse, não é um filme ruim, só não é tudo o que eu esperava.

Até logo para os que ficam, eu vou.

14. Cães de Aluguel



"Tarantino brincando de Cinema"

Sinopse: "Joe Cabot (Lawrence Tierney), um experiente criminoso, reuniu seis bandidos para um grande roubo de diamantes, mas estes seis homens não sabem nada um sobre os outros e cada um utiliza uma cor como codinome. Porém durante o assalto algo ao saiu , pois diversos policiais esperavam no local. Mr. White (Harvey Keitel) levou Mr. Orange (Tim Roth), que na fuga levou um tiro na barriga e morrerá se não tiver logo atendimento médico, para o armazém onde tinha sido combinado que todos se encontrassem. Logo depois chegou Mr. Pink (Steve Buscemi), que está certo que um deles é um policial disfarçado e eles precisam descobrir quem os traiu. Em um clima de acusações mútuas a situação fica cada vez mais insustentável."

Tarantino é maluco, disso todo mundo já sabe. Tarantino é um maluco brilhante, disso todo mundo também já sabe. O que nem todo mundo sabe é que o cara tinha 28 anos quando fez esse filme (seu primeiro), e eu tenho 21 e não estou nem perto de chegar próximo a fazer um filme tão... "meu" quanto Tarantino fez esse filme "dele". (OK, alguém mais reparou que eu quase tentei me comparar ao Tarantino aqui?! rsrsrsrsrs)

Começando pelo começo. O cara cria personalidades impossíveis de existirem num mundo real, mas perfeitamente aceitáveis em seus filmes.
O cara cria cenas em que o bizarro quase dá prazer. Vamos lá, quem não queria ver Michael Madsen cortando a orelha do policial ao som de "Stuck in the Middle With You"?
E a discussão sobre a origem de "Like a Virgin"? Além do quase prazer com o bizarro, esse diretorzinho de quinta (contando a partir do cinco) sabe trabalhar a cultura pop.
Minha raiva dele é que ele sabe fazer bem uma cena, indiscutivelmente. E ainda assim ele gosta de brincar com a mente de quem assiste aos filmes dele de uma maneira completamente impessoal. Em outras palavras, ele não está nem aí!
Eu juro que eu imagino ele olhando para mim com cara de safado enquanto assisto a um filme seu me perguntando: "You like it, don't you? I know you do."
E por mais que eu queira dizer que não, eu gosto!
Quer dizer, ele se inclui nos próprios filmes simplesmente porque quer. Ele faz os espectadores se sentirem meio psicopatas (eu acho que medo e admiração resumem meus sentimentos com relação ao Michael Madsen nesse filme - ele foi fenomenal). Ele cria uma linha de tempo completamente irregular para contar uma história. Ele decide que os personagens não terão nomes e resolve dar cores a eles! Brilhante conclusão: ele não está nem aí para nós, meros mortais.
E ainda assim, quando ele te pergunta com cara de safado se você gosta, quem consegue resistir?

Eu não resisto. Nota 9.1

Eu não vou contar o fim do filme, mas a última cena é das cenas mais loucas que já vi. É tão absurda e tão boa ao mesmo tempo... Será que todo diretor precisa ter um "quê" de maluquice para criar uma obra-prima?

Não sei, só sei que foi assim. Vejo vocês na próxima. Quer dizer, não "vejo" mesmo... vocês entenderam.

And the Golden Globe goes to...



Ontem estava eu tranquilamente sentada em meu sofá preparada para um dos meus rituais preferidos: assistir ao Globo de Ouro. Começo de ano para mim é sinônimo premiações. Sou viciada! Do MTV Movie Awards ao Oscar, passando pelo conhecido mas não relacionado à cinema Grammy e pelos não tão conhecidos SAG e Spirit Awards organizo meus dias para não perder nenhum desses eventos ao vivo! Pois bem, ontem estava eu nesse frenesi e mal sabia que a senhorita Isabella aka Amelie tentava me ligar loucamente. O motivo? Saber se eu queria escrever aqui no blog sobre a premiação que é a prévia do Oscar.
Eis que estou então aqui para contar o que eu achei da premiação ontem. Das figurinhas certas às grandes supresas, o 67º Globo de Ouro teve de tudo! Para aqueles que não sabem o Globo de Ouro premia os melhores do cinema e das séries, mas nosso foco aqui é o cinema então não me alongarei mais nesse assunto do que para celebrar a vitória de Glee como melhor série de comédia ou musical :D!
O que havia de mais peculiar nessa edição era a pouca previsibilidade dos vencedores. Não haviam muitos vencedores certos como o James Cameron levando o prêmio de melhor diretor por Avatar. O primeiro prêmio da noite foi o de Melhor Atriz Coadjuvante com concorrentes renomadas como Penelope Cruz e Julianne Moore foi a favorita e novata cantora Mo’Nique quem ganhou por seu papel em Preciosa um dramalhão daqueles feito com cara de Oscar. Mo’Nique já estava ganhando todas então não foi mutia surpresa apesar de muita gente estar elogiando também a performance de Anna Kendrick no surpreendente Amor Sem Escalas.
Depois disso tivemos o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante que deu o (injustamente) único prêmio da noite para Bastardos Inglórios pelo Coronel nazista brilhantemente impiedoso Hans Landa. Com os competidores fracos o prêmio era certo mas ainda foi gostoso ver o Christoph Waltz agradecendo ao pouco apreciado por Hollywood, porém incrível Quentin Tarantino.
Daí veio a Pixar levar mais um prêmio para casa. Honestamente não sei por que ainda existe nessas premiações a categoria Melhor Animação e não criam simplesmente a categoria Prêmio da Pixar. Não que os prêmios não sejam merecido afinal Up – Altas Aventuras é um filme deliciosamente encantador, mas não tem nem graça especular quem vai ganhar por mais que os concorrentes sejam também muito bons.
Tivemos então os prêmios mais “técnicos” da premição: Melhor Trilha Sonora e Melhor Canção Original que foram respectivamente para Up – Altas Aventuras e "The Weary Kind" de The Crazy Heart. Não sei bem o que comentar sobre essa categorias, pois honestamente não entendo muito do assunto. Sei que o favorito para trilha sonora era Avatar e será ele provavelmente o vencendor do Oscar (já havia há um tempo percebido que alguns prêmios do Globo de Ouro vão para aqueles que não vão ganhar o Oscar não sair de mãos abanando). Já The Crazy Heart é um filme sobre música e ainda por cima música country (gênero aclamado pelos americanos) e ainda conta com a interpretação aclamada de Jeff Bridges sendo portanto o favorito da categoria principalmente quando concorrendo com músicar fracas apesar de grandes nomes por trás como "I Want To Come Home" de Paul McCartney e “Winter”do U2.
Em seguida tivemos um dos meus favoritos: Melhor Roteiro, que aqui diferentemente do Oscar não é dividido em original e adaptado. Devo confessar que torcia pro Tarantino já que amei Bastardos Inglórios e sabia que ele não tinha chance nas demais categorias, mas o vencedor foi Jason Reitman e Sheldon Turner por Amor Sem Escalas. Não vi o filme ainda mas o bafafa em torno dele já me deixou há tempo ansiosa pela sua estréia. Não sei dizer se o roteiro é tão brilhante quanto o de Bastardos Inglórios, mas não reclamo pois esse é um filme bom que não foi contemplado em nenhuma outra categoria, então por que não?
Veio a hora então do Melhor Filme Estrangeiro que é normalmente a mais difícil de acertar pois a maioria dos filmes indicados demora uma vida para estreia por terras tupiniquins e a gente acaba não tendo noção do que está no páreo. Esse ano no entanto foi mais fácil com os favoritos sendo Abraços Partidos do sempre fantástico Almodovar e A Fita Branca, filme alemão que ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes passado. E foi este último o vencedor da noite que com seu inglês furreca até que conseguiu agradecer direitinho o prêmio.
Começou então a dobradinha de melhor ator e atriz que são divididas em dois gêneros para aqueles que não sabem. O prêmio de Melhor Atriz em Comédia ou Musical foi obviamente para Meryl Streep (outra que deveria ter uma categoria com seu nome). O prêmio foi merecidíssimo, afinal estamos falando de Meryl Streep aqui e vamos combinar que Julie e Julia não seria nada sem Meryl lá e o filme como um todo é bem fraquinho a não ser por sua interpretação sempre brilhante. Como o vencedor não gerava surpresas essa ficou reservada pelo lindo e looongo discurso que Meryl deu, mas quem ousaria tocar a musiquinha para ela sair, hein?!
Logo depois veio a surpresa boa da noite, o prêmio de Melhor Ator em Comédia ou Musical que foi parar nas mãos do fodástico Robert Downey Jr.. Essa categoria não tinha um favorito muito claro, mas as chances maiores eram de Matt Damon por O Desinformante e Daniel Day-Lewis por Nine. Adorei que o Robert Downey Jr. ganhou porque Sherlock Holmes não seria nem metade do que é sem ele e adorei mais ainda o seu discurso que foi fato, o melhor discurso ever!
Continuamos então com o prêmio de Melhor diretor que foi obviamente para James Cameron, que claramente merecia pela enormidade que foi Avatar em todos os quesitos. Da idéia original aos intermináveis efeitos especiais, passando pelas interpretações consistentes e não cartoon-like fizeram uma obra que marca uma nova fase do cinema.
Vem então outra vitória interessante: Sandra Bullock ganha o prêmio de Melhor Atriz em Drama por O Lado Cego. A vitória não foi tão surpreendente pois sua interpretação tem sido muito comentada já lhe rendendo alguns prêmios, mas se você parar para pensar quando você ia imaginar que a Miss Simpatia e aquela atriz que sempre interpreta o mesmo papelo em filmes água com açucar em 1998 ou whatever tinha potencial para ganhar um dos prêmios mais importantes da indústria cinematográfica e ainda por cima num papel dramáticos?!
Já o prêmio de Melhor Ator em Drama estava na gangorra entre George Clooney por Amor Sem Escalas e Jeff Bridges por The Crazy Heart ganhando o último. Não vi nenhum dos dois filmes, mas tenho certeza que vou gostar muito mais de Amor Sem Escalas pela premissa do filme, mas entendo a premiação de Jeff que já foi indicados algumas vezes, mas nunca ganhou e está num filme tipicamente para os americanos.
Por fim tivemos mais outra surpresa com o prêmio de Melhor Filme Musical ou Comédia que foi para o filme pipoca e comédia pastelão porém sensacional Se Beber Não Case. Todos que viram o filme devem concordar que o filme surpreende com suas piadas e é aquele tipo de filme que seria mais uma das mil comédias engraçadinhas que Hollywood produz todo ano é na verdade uma das melhores comédias que você já viu! Mas, é claro, ninguém poderia adivinhar que seria um filme ganhador do Globo de Ouro ainda mais quando na mesma categoria estão filmes como Nine que tem cara, cor e cheiro de Globo de Ouro e Julie e Julia que tem, bem, Meryl Streep. Eu gostei da vitória de Se Beber Não Case pois o filme é realmente muito bom e abre espaços para uma gama mais heterogênea de filmes ser premiada.
E, para concluir a noiite o prêmio máximo da noite, aquele que normalmente dita o vencedor do oscar de melhor filme (apesar de nos últimos anos ter dado zebra...), o prêmio de Melhor Filme Drama. O vencedor como muitos já esperavam foi Avatar de James Cameron. Gera-se, então um burburinho daqueles que torcem por Bastardos Inglórios outro filme brilhante. Apesar de Bastardos Inglórios ser mais o meu tipo de filme (Alôw! Tarantino!) consigo entender porque Avatar levou a melhor. Como já disse antes, Avatar é um fenômeno, é um filme grandioso em diversos aspectos e com certeza é um marco na história do cinema.
Então, com um Globo de Ouro tão cheio de surpresas e sem um filme “papador de prêmios” vimos muitos blockbusters levando a melhor. Do ator de todos os filmes de grande bilheteria Robert Downey Jr. à queridinha da América Sandra Bullock, do filme pipoca Se Beber, Não Case ao mostro de bilheteria Avatar; a pergunta que fica então é: Seria esta uma nova fase do cinema em que o cinema bom é o cinema pop?

13. Sherlock Holmes


"Sherlock Holmes versão ame ou odeie"

Sinopse: "Depois de uma série de assassinatos violentos ligados a rituais, Holmes e Watson chegam a tempo de salvar a última vítima e acabam descobrindo o assassino: o impenitente Lorde Blackwood. À medida que a data de seu enforcamento se aproxima, Blackwood – que aterrorizou os colegas de presídio com sua aparente conexão com forças malignas e poderosas – alerta Holmes e Watson de que a morte não será seu fim e que, na verdade, a execução está prevista nos planos de Blackwood. E quando, depois de todas as indicações, Blackwood cumpre a promessa, sua aparente ressurreição espalha o pânico por Londres e confunde a Scotland Yard. No entanto, para Sherlock Holmes, "o jogo está apenas começando."

Há bem pouco tempo Weena estava aqui falando sobre as obrigações (ou falta delas) que o Cinema deveria ter para com o espectador. Pois bem, eu nunca entendi bem o que ela quis dizer com isso, eu sempre pensei no cinema não somente como Cinema Arte, mas como Cinema Entretenimento também.
Mas Robert Downey Jr. mostrou com esse Sherlock desgarrado (e por que não Jude Law também com seu Watson bem fora dos padrões - especialmente de beleza) que não importa se é Arte ou Entretenimento: nenhum filme é obrigado a agradar ninguém (sabe Deus como estava Arthur Conan Doyle em sua sepultura). E talvez por isso esse tenha me agradado.
Vamos lá, pelo amor de Deus. Um Holmes a favor da violência, envolvido em lutas organizadas? Um Watson alto, esguio, bom de briga e que discute com Holmes todo o tempo? Pois é, nesse filme as regras só existiram para serem quebradas.
Óbvio que nem tudo são flores. Algumas coisas que poderiam ter continuado fora dos padrões insistiram na tradição: as famosas cenas "vamos explicar toda a linha de raciocínio do nosso querido detetive, inclusive usando imagens para os mais lentos" me fazem voltar a minha idéia de Cinema Entretenimento - não se pode exigir muito se o objetivo é agradar a maioria. OK, eu concordo que não são deduções que o público faria por si só, mas eu acho que quem escreveu o roteiro poderia ter brincado mais com a imaginação das pessoas.
Ainda assim, foi muito feliz a atuação do Downey Jr. (ganhou Globo de Ouro não foi à toa, mas hey! Anna está vindo aí para falar sobre isso) e seu Sherlock louco. Ele conseguiu capturar bem a arrogância do Sr. Holmes e tranformá-lo em um personagem arrogante que pode ser arrogante, porque seria um arrogante querido do público.
E não só ele manteve determinadas características do personagem, como também conseguiu adaptá-lo a um novo mundo, converteu um ser anormalmente centrado (característica do investigador nos livros) em um maluco ciumento e até mesmo desengonçado (e quando eu digo maluco, quem viu o filme vai entender). E quem imagina um Sherlock Holmes maluco e desengonçado?
Ele fez o filme valer a pena por completo. Agora espero que a mania de Hollywood de deixar tudo encaminhado para um segundo filme não me crie decepções mais tarde.

Darei nota... 8.7

E agora faltam menos filmes. Sem perder o pique! See ya.

Apresentando reforços!


A partir de hoje a equipe do CINEMA NAÏF terá uma grande ajuda nessa nossa louca missão de assistir 1001 filmes em 2010. A nossa querida Anna Luiza também estará aqui comentando filmes e o que ocorre de mais novo no mundo da Sétima Arte.

E ela vai começar em grande estilo! Aguardem um post com todos os comentários do Globo de Ouro!

12. Vício Frenético


Sinopse: Após salvar um prisioneiro de afogamento em decorrência do furacão Katrina, o detetive Terence McDonagh é promovido a tenente. Com as costas seriamente contundidas, passa a depender de analgésicos para aguentar a dor. Um ano depois, está viciado em Vicodin e cocaína, mas continua trabalhando em nome da lei. Quando uma família de imigrantes africanos é assassinada, ele é nomeado para o caso, e sai à procura do assassino. Mas seu próprio envolvimento em atividades ilegais compromete seus padrões morais e ameaça colocar sua missão em risco.


Como assunto da minha primeira (e demorada) contribuição aqui, o que poderia ser melhor do que o mais novo filme do bom e velho Werner Herzog, um dos melhores diretores de todos os tempos? Sim, meu amado alemãozinho nunca me fez desperdiçar dinheiro em ingresso ou locações. Não sei se conheço um outro diretor com a mesma capacidade de Herzog de realizar filmes tão variados entre si e ao mesmo tempo tão impecáveis. Desde Aguirre, Fitzcarraldo, Nosferatu e O Enigma de Kaspar Hauser até os mais recentes Homem-urso e O sobrevivente, ele nunca fez feio. E Vício Frenético (Bad Lieutenant: Port of Call New Orleans) não é exceção. Sempre admirei em Herzog a sua capacidade de fazer cinema como uma espécie de deus cínico, e já explico o que quero dizer com isso. Para mim, a arte de verdade (no que o cinema muitas vezes se inclui) constitui não uma imitação do mundo, mas a criação de um mundo. É a diferença que um querido estudioso de literatura inglês chamado M. H. Abrams faz entre o "espelho" e a "lâmpada". Sempre acreditei que o cinema não devesse ser julgado em relação ao mundo real ou a qualquer sistema ético, estético etc. A obra de arte obedece somente às suas próprias regras e deve sempre ser vista em relação a si mesma. Ela é o ponto de onde se parte e para onde retornamos, ainda que o passeio entre os dois seja dos mais amplos. É por isso que que um filme deve ser verossímil no melhor sentido da palavra, quando corresponde a uma coerência interna a si mesmo. Nesse sentido, todos os filmes de Herzog que tive a oportunidade de assistir até hoje são lâmpadas das mais potentes, nunca meros espelhos. Daí ele ser um Deus. Daí ele conseguir diluir as fronteiras entre o documental e o ficcional, por exemplo. Quanto ao cínico.... Bem, Herzog, pra mim, é o tipo de artista que ri do que faz ao mesmíssimo tempo que leva tudo muito a sério. E não tem escrúpulos em nos envolver na teia da ficção até o ponto em que não nos lembramos mais que estamos num cinema , somente para nos fazer perceber, meio transtornados, que aquilo é um filme. Em Vício Frenético, vemos o personagem de Nicolas Cage (que aliás está fantástico, me fazendo relevar suas atuações em filmecos de quinta categoria) se embaralhar cada vez mais, movido pelo seu "vício frenético", numa rede de corrupção. E justamente quando julgamos que ele atinge o fundo do poço, de onde não se sai mais nem com a ajuda do diabo, todos os seus problemas são quase magicamente resolvidos, um atrás do outro. É o surreal dos acontecimentos que fazem Vício Frenético ir muito além da maior parte de filmes policiais que em geral mostram a corrupção de uma maneira bem pobre e muito gasta. Nosso anti-herói, que durante o filme usa de sua posição para alimentar seu vício, surrupiando drogas confiscadas pela polícia, chanteageando usuários com seu distintivo , colaborando com traficantes, entre outras peripécias do bad bad lieutenant que é, não somente não sofre nenhuma consequência moralista por suas ações, como é promovido a capitão. Vale a pena chamar a atenção para suas fantásticas alucinações com iguanas focalizadas por uma câmera trêmula o tempo necessário para os espectadores do kinoplex se entreolharem com expressões de confusão. A hilária cena em que Cage corta o suprimento de ar de uma velhinha e faz um discurso contra os aposentados que, segundo ele, são responsáveis pela situação do país! A participação (pequena, mas sempre bem-vinda) do nosso amado Michael Shannon como um cúmplice de Cage na armação dos narcóticos confiscados. Um inesperado toque poético quando nosso protagonista leva sua namorada ao seu refúgio de infância e lhe conta sobre suas fantasias com tesouros e piratas. E Eva Mendes... quem não gosta de ver, não?
Enfim, antes que eu mate de tédio quem foi persistente o suficiente para ler minhas baboseiras até aqui... Vício Frenético: recomendadíssimo. Assim como todos os filmes do Herzog. Esses dias, eu e Maurício tivemos uma breve discussão sobre diretores consagrados. Ele disse que filmes que levam o nome de Almodóvar, por exemplo, não podem ser ruins (do que eu discordei em vista de "Abraços Partidos"). Quanto ao Herzog, Maurício, acho que vou ter que voltar atrás...
Beijos a todos (alguém além de nós lê isso aqui?) e até a próxima. Prometo ser mais breve no futuro. Ah, e me abstenho de dar nota ao filme!

11. Como Agarrar Um Milionário




"Lições de vida com Marilyn Monroe"

Sinopse: "Em Nova York, Schatze Page (Lauren Bacall), Pola Debevoise (Marilyn Monroe) e Loco Dempsey (Betty Grable), três modelos cansadas de namorados sem dinheiro, alugam em Manhattan um elegante apartamento com o objetivo de arrumarem maridos ricos. Mas a situação se complica quando o dinheiro vai acabando e elas começam a se interessar por homens sem dinheiro."

Bom, já que citamos esse filme há algumas postagens, decidi que seria injusto não colocá-lo aqui também. Afinal, a era de ouro do cinema definitivamente merece um espaço no nosso blog.
É engraçado que nossa sex symbol nunca foi levada realmente a sério como atriz, ainda mais depois que fazer uma cena com ela demorava o triplo do que deveria já que ela estava muito alta para conseguir se concentrar.
Mas sabe o quê? Eu gosto dela. Para mim, esse filme não teria metade da graça que teve se ela não estivesse presente e completamente cega. Particularmente, me diverti muito vendo sua personagem dando de cara com a porta, achando que o invasor da sua casa era um conhecido e pegando o avião errado, tudo pela vergonha de usar óculos. A história de suas duas amigas também são engraçadas... Mas ela deu o toque final. Ela nunca será um exemplo de atuação... Mas aqui fica a pergunta: Será que Marilyn Monroe conseguiu sobreviver até hoje como lenda somente por sua sexualidade/sensualidade?
Acho que não importa tanto, ela sempre será um ícone.
Nota? 8.0

E tenho dito. Até a próxima.

OBS.: Como Agarrar um Milionário foi um dos primeiros filmes produzidos em CinemaScope! Aqui vai um link para saber o que foi esta tecnologia:

http://pt.wikipedia.org/wiki/CinemaScope

Olha o Golden Globe aí, minha gente!




Dia 17 de janeiro de 2010 acontece a 67ª edição do Golden Globe Awards. Ou seja, a partir daí nós saberemos o que está por vir de bom (e de ruim) pelos próximos meses nos cinemas brasileiros. Eu particularmente estou esperando pelo filme Nine, com um elenco daqueles até a Fergie vai me encantar.
O Golden Globe será transmitido a partir das 23h pela TNT. Pois é, dessa vez quem não tem TV à cabo vai ter que esperar um pouco para saber quem foram os grandes vencedores da noite. Mas o que interessa é saber quais filmes estão concorrendo, então poderemos correr para o cinema e tirar nossas próprias conclusões, não é mesmo?

Aqui vai a lista de concorrentes:

Melhor atriz coadjuvante

· Mo-Nique, por Preciosa
· Julianne Moore, por A Single Man
· Anna Kendrick, por Amor sem Escalas
· Vera Farmiga, por Amor sem Escalas
· Penelope Cruz, por Nine

Melhor ator coadjuvante

· Matt Damon, por Invictus
· Stanley Tucci, por Uma Olhar do Paraíso
· Christopher Plummer, por The Last Station
· Christopher Waltz, por Bastardos Inglórios
· Woody Harrelson, por The Messenger

Melhor filme animado

· Coraline e o Mundo Secreto
· O Fantástico Sr. Raposo
· Tá Chovendo Hambúrguer
· A Princesa e o Sapo
· Up - Altas Aventuras

Melhor filme estrangeiro

· Baaria
· Abraços Partidos
· The Prophet
· The White Ribbon
· The Maid

Melhor canção original

· "I Will See You" (Avatar)
· "The Weary Kind" (The Crazy Heart)
· "Winter" (Entre Irmãos)
· "Cinema Italiano" (Nine)
· "I Want to Come Home" (Simplesmente Complicado)

Melhor trilha sonora

· Michael Giacchino, por Up - Altas Aventuras
· Marvin Hamlisch, por O Desinformante!
· James Horner, por Avatar
· Abel Krozeniowski, por A Single Man
· Karen O. e Carter Burwell, por Onde Vivem os Monstros

Melhor ator em comédia ou musical

· Matt Damon, por O Desinformante!
· Daniel Day Lewis, por Nine
· Robert Downey Jr., por Sherlock Holmes
· Joseph Gordon Levitt, por 500 Dias com Ela
· Michael Stuhlbar, por A Serious Man

Melhor atriz em comédia ou musical

· Sandra Bullock, por A Proposta
· Marion Cotillard, por Nine
· Julia Roberts, por Duplicidade
· Meryl Streep, por Simplesmente Complicado
· Meryl Streep, por Julie e Julia

Melhor ator em drama

· Jeff Bridges, por A Crazy Heart
· George Clooney, por Amor sem Escalas
· Colin Firth, por A Single Man
· Morgan Freeman, por Invictus
· Tobey Maguire, por Entre Irmãos

Melhor atriz em drama

· Emily Blunt, por The Young Victoria
· Sandra Bullock, por The Blind Side
· Helen Mirren, por The Last Station
· Carey Mulligan, por Educação
· Gabire Sadibe, por Preciosa

Melhor comédia ou musical

· 500 Dias Com Ela
· Se Beber, Não Case
· Simplesmente Compicado
· Julie e Julia
· Nine

Melhor filme dramático

· Avatar
· Guerra ao Terror
· Bastardos Inglórios
· Preciosa
· Amor sem Escalas

Melhor diretor

· Kathryn Bigelow, por Guerra ao Terror
· James Cameron, por Avatar
· Clint Eastwood, por Invictus
· Jason Reitman, por Amor Sem Escalas
· Quentin Tarantino, Bastardos Inglórios


E aí, alguma aposta? Daqui a alguns dias, eu anuncio os vencedores, ok?

10. Zombieland


“Little Miss Sunshine contra zumbis”

Sinopse: "A população mundial foi dizimada devido a um vírus, variante do mal da vaca louca, que faz com que as pessoas se transformem em zumbis. Poucos são os humanos não infectados, entre eles Columbus (Jesse Eisenberg). Ele é um estudante da Univeridade do Texas, que deseja voltar para sua cidade natal na esperança de encontrar seus pais ainda vivos. Cheio de fobias, o maior medo de Columbus não são os zumbis, mas os palhaços. No caminho ele encontra Tallahassee (Woody Harrelson), que está indo para a Flórida com o objetivo de aniquilar o maior número possível de zumbis. Columbus pega uma carona com ele. Ao parar em uma mercearia, a dupla enfrenta três zumbis e encontra duas garotas, Wichita (Emma Stone) e sua irmã caçula Little Rock (Abigail Breslin). Só que Little Rock aparenta ter sido mordida por um zumbi, o que divide o grupo sobre o que fazer."

Cheguei de viagem quinta-feira, dia 14, e depois de 8 dias longe do meu namorado, uma das primeiras coisas que ele me disse foi: “Você precisa ver Zombieland”.
Eu fiz o meu habitual “sei... sei...” e me concentrei mais em matar a saudade. Na minha cabeça um filme com a palavra “zombie” não poderia simplesmente ser levado a sério. Antes de tudo, vocês têm que entender algo: o meu namorado é obcecado por zumbis. Ele os mata em jogos de videogame, eles estão em seus filmes preferidos e garanto que nos seus piores pesadelos. Talvez esse seja um dos motivos pelo qual o “sei... sei...” saia tão automático logo após a palavra zumbi.
Conversa vai, conversa vem, ele fala novamente: “Sério, você precisa ver Zombieland” e finaliza com a frase que mudou tudo: “Tem aquela garotinha que você gosta, a da Little Miss Sunshine”. Um filme de zumbis com a Abigail? Ah, esse valeria a pena ver!
E não é que o meu matador de zumbis preferido estava certo? Esse filme vale MUITO a pena ver! Qual parte da combinação: fortão texano apaixonado por bolinhos + nerd bitolado por regras + gostosona espertona + Abigail poderia dar errado? Incluindo uma arma na mão de cada um deles!
O filme conta a história de um nerd sobrevivendo em um EUA já completamente dominado por zumbis. O nerd parece ter saído de Superbad e logo de início você imediatamente se pergunta: Por que justamente esse garoto foi uma das únicas pessoas que conseguiram sobreviver? Ele te responde imediatamente, apresentando-lhes as suas regras para sobreviver em Zombieland. Ah, elas são uma diversão a parte! Hilárias, apresentadas de forma criativa e te acompanham pelo filme inteiro. [e muito úteis caso no futuro haja uma invasão de zumbis...]
A verdade é que esse é um grande exemplo de um filme bem feito. Não falo agora sobre os atores ou o roteiro, somente sobre a sua elaboração. Ultimamente são poucos os filmes assim... Juno, os filmes dos irmãos Coen... Poucos... Bem, Zombieland é um exemplo de um filme bem feito. A interação das letrinhas iniciais com o cenário no início do filme já é um grande exemplo disso. Tudo parece que foi feito com cuidado e bem pensado antes.
Além disso, tenho que falar do roteiro. Criativo, despretensioso, com referências a outros filmes do gênero, só que expostos de forma cool. A verdade é que um filme de zumbis nunca foi tão cool antes! E pára tudo: há uma participação genial do Bill Murray! Com direito a musiquinha dos Caça-Fantasmas.
Sim, ele não deixa de ser um filme de zumbis, não tem nada absurdamente impressionante ou inovador, mas mostrou que um filme quando bem feito e criativo garante muita diversão.
Pergunta: ATÉ QUE PONTO A CRIATIVIDADE NO ROTEIRO E NA CONSTRUÇÃO DO FILME CONTAM PARA ELE SE TORNAR BOM?

Minha nota? 9,0. O ano mal começou e frente ao tanto de coisa boa por vir é arriscado escrever isso, mas por enquanto foi o melhor filme que eu assisti em 2010. Recomendo!

PS: O filme estréia dia 29 de janeiro nos cinemas. Não perca!

9. Onde Vivem Os Monstros





"2010 enfim deu as caras."

Sinopse: "Max (Max Records) é um garoto travesso mandado de castigo para seu quarto depois de desobedecer a mãe. Porém, a imaginação do menino está livre e o transporta para um reino desconhecido. Encantado, Max parte para a terra dos Monstros Selvagens, onde Max é o rei."

Há tempos eu não via um filme que me emocionasse tanto. Do começo ao fim, Spike Jonze soube fazer cada minuto desse filme bem feito, pelo menos na minha opinião.
Assim, é uma visão um tanto depressiva para uma criança sobre a solidão, mas não sei nem se "depressivo" é a palavra certa. Porque existe essa imagem negra de depressão, e a imagem que o Spike Jonze passa é uma imagem linda (aliás, fotografia do filme linda demais). Esses não são monstros, são bichos de pelúcia gigantes!
Quer dizer, quando o cartaz do filme diz que todos temos um dentro de nós, eu assino embaixo. Afinal, quem não quer ter pra si essas bolas de pelo gigantes? Cada um com seus defeitos e qualidades adoráveis.
Mas voltando ao filme, além da fotografia maravilhosa, como já dita, o roteiro foi muito bem adaptado, a idealização dos monstros pelo personagem principal a partir da própria personalidade fica bem claro a quem vê (também a criação do monstro mãe, que é ainda mais bonito de se ver). E não satisfeito, tem aquelas frases que ficam te cutucando durante muito tempo, sabe? OK, elas ficam ME cutucando durante muito tempo.
E a escolha do elenco? O pequeno Max Records veio pra mostrar pras Brunas Marquezines da vida que só chorar não é atuar. E quem quer que estivesse por detrás daquelas roupas gigantes de pelúcia, também sabia o que estava fazendo.
O filme tem suas falhas. É uma história infantil que de infantil não tem nada. Nada de levar seu priminho, ou irmãozinho ou nada "inho" seu para assistir. Esses acharão o filme um saco e com toda razão.
E a trilha sonora? Seria mais fácil por alguém falando "Por favor, meu filho, chore". Eu sempre gosto dessas trilhas, mas... Junta uma trilha dessas com a cena do garoto se despedindo dos monstros (os uivos!), e aí só os fortes aguentam. Ainda bem que eu tenho um longo passado, nem tudo me abala mais. O que vi de gente sair com o olho vermelho da sala de cinema...

Será que esse filme ganha um espacinho no Oscar?
Bom, no meu Oscar, ele teria nota: 9.3

Espero que ir ao cinema seja sempre assim esse ano. Até o próximo filme.
 
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