
Ontem estava eu tranquilamente sentada em meu sofá preparada para um dos meus rituais preferidos: assistir ao Globo de Ouro. Começo de ano para mim é sinônimo premiações. Sou viciada! Do MTV Movie Awards ao Oscar, passando pelo conhecido mas não relacionado à cinema Grammy e pelos não tão conhecidos SAG e Spirit Awards organizo meus dias para não perder nenhum desses eventos ao vivo! Pois bem, ontem estava eu nesse frenesi e mal sabia que a senhorita Isabella aka Amelie tentava me ligar loucamente. O motivo? Saber se eu queria escrever aqui no blog sobre a premiação que é a prévia do Oscar.
Eis que estou então aqui para contar o que eu achei da premiação ontem. Das figurinhas certas às grandes supresas, o 67º Globo de Ouro teve de tudo! Para aqueles que não sabem o Globo de Ouro premia os melhores do cinema e das séries, mas nosso foco aqui é o cinema então não me alongarei mais nesse assunto do que para celebrar a vitória de
Glee como melhor série de comédia ou musical :D!
O que havia de mais peculiar nessa edição era a pouca previsibilidade dos vencedores. Não haviam muitos vencedores certos como o James Cameron levando o prêmio de melhor diretor por
Avatar. O primeiro prêmio da noite foi o de Melhor Atriz Coadjuvante com concorrentes renomadas como Penelope Cruz e Julianne Moore foi a favorita e novata cantora Mo’Nique quem ganhou por seu papel em Preciosa um dramalhão daqueles feito com cara de Oscar. Mo’Nique já estava ganhando todas então não foi mutia surpresa apesar de muita gente estar elogiando também a performance de Anna Kendrick no surpreendente
Amor Sem Escalas.
Depois disso tivemos o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante que deu o (injustamente) único prêmio da noite para
Bastardos Inglórios pelo Coronel nazista brilhantemente impiedoso Hans Landa. Com os competidores fracos o prêmio era certo mas ainda foi gostoso ver o Christoph Waltz agradecendo ao pouco apreciado por Hollywood, porém incrível Quentin Tarantino.
Daí veio a Pixar levar mais um prêmio para casa. Honestamente não sei por que ainda existe nessas premiações a categoria Melhor Animação e não criam simplesmente a categoria Prêmio da Pixar. Não que os prêmios não sejam merecido afinal
Up – Altas Aventuras é um filme deliciosamente encantador, mas não tem nem graça especular quem vai ganhar por mais que os concorrentes sejam também muito bons.
Tivemos então os prêmios mais “técnicos” da premição: Melhor Trilha Sonora e Melhor Canção Original que foram respectivamente para
Up – Altas Aventuras e "The Weary Kind" de
The Crazy Heart. Não sei bem o que comentar sobre essa categorias, pois honestamente não entendo muito do assunto. Sei que o favorito para trilha sonora era
Avatar e será ele provavelmente o vencendor do Oscar (já havia há um tempo percebido que alguns prêmios do Globo de Ouro vão para aqueles que não vão ganhar o Oscar não sair de mãos abanando). Já
The Crazy Heart é um filme sobre música e ainda por cima música country (gênero aclamado pelos americanos) e ainda conta com a interpretação aclamada de Jeff Bridges sendo portanto o favorito da categoria principalmente quando concorrendo com músicar fracas apesar de grandes nomes por trás como "I Want To Come Home" de Paul McCartney e “Winter”do U2.
Em seguida tivemos um dos meus favoritos: Melhor Roteiro, que aqui diferentemente do Oscar não é dividido em original e adaptado. Devo confessar que torcia pro Tarantino já que amei
Bastardos Inglórios e sabia que ele não tinha chance nas demais categorias, mas o vencedor foi Jason Reitman e Sheldon Turner por
Amor Sem Escalas. Não vi o filme ainda mas o bafafa em torno dele já me deixou há tempo ansiosa pela sua estréia. Não sei dizer se o roteiro é tão brilhante quanto o de
Bastardos Inglórios, mas não reclamo pois esse é um filme bom que não foi contemplado em nenhuma outra categoria, então por que não?
Veio a hora então do Melhor Filme Estrangeiro que é normalmente a mais difícil de acertar pois a maioria dos filmes indicados demora uma vida para estreia por terras tupiniquins e a gente acaba não tendo noção do que está no páreo. Esse ano no entanto foi mais fácil com os favoritos sendo
Abraços Partidos do sempre fantástico Almodovar e
A Fita Branca, filme alemão que ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes passado. E foi este último o vencedor da noite que com seu inglês furreca até que conseguiu agradecer direitinho o prêmio.
Começou então a dobradinha de melhor ator e atriz que são divididas em dois gêneros para aqueles que não sabem. O prêmio de Melhor Atriz em Comédia ou Musical foi obviamente para Meryl Streep (outra que deveria ter uma categoria com seu nome). O prêmio foi merecidíssimo, afinal estamos falando de Meryl Streep aqui e vamos combinar que
Julie e Julia não seria nada sem Meryl lá e o filme como um todo é bem fraquinho a não ser por sua interpretação sempre brilhante. Como o vencedor não gerava surpresas essa ficou reservada pelo lindo e looongo discurso que Meryl deu, mas quem ousaria tocar a musiquinha para ela sair, hein?!
Logo depois veio a surpresa boa da noite, o prêmio de Melhor Ator em Comédia ou Musical que foi parar nas mãos do fodástico Robert Downey Jr.. Essa categoria não tinha um favorito muito claro, mas as chances maiores eram de Matt Damon por
O Desinformante e Daniel Day-Lewis por
Nine. Adorei que o Robert Downey Jr. ganhou porque
Sherlock Holmes não seria nem metade do que é sem ele e adorei mais ainda o seu discurso que foi fato, o melhor discurso ever!
Continuamos então com o prêmio de Melhor diretor que foi obviamente para James Cameron, que claramente merecia pela enormidade que foi
Avatar em todos os quesitos. Da idéia original aos intermináveis efeitos especiais, passando pelas interpretações consistentes e não cartoon-like fizeram uma obra que marca uma nova fase do cinema.
Vem então outra vitória interessante: Sandra Bullock ganha o prêmio de Melhor Atriz em Drama por
O Lado Cego. A vitória não foi tão surpreendente pois sua interpretação tem sido muito comentada já lhe rendendo alguns prêmios, mas se você parar para pensar quando você ia imaginar que a
Miss Simpatia e aquela atriz que sempre interpreta o mesmo papelo em filmes água com açucar em 1998 ou whatever tinha potencial para ganhar um dos prêmios mais importantes da indústria cinematográfica e ainda por cima num papel dramáticos?!
Já o prêmio de Melhor Ator em Drama estava na gangorra entre George Clooney por
Amor Sem Escalas e Jeff Bridges por
The Crazy Heart ganhando o último. Não vi nenhum dos dois filmes, mas tenho certeza que vou gostar muito mais de
Amor Sem Escalas pela premissa do filme, mas entendo a premiação de Jeff que já foi indicados algumas vezes, mas nunca ganhou e está num filme tipicamente para os americanos.
Por fim tivemos mais outra surpresa com o prêmio de Melhor Filme Musical ou Comédia que foi para o filme pipoca e comédia pastelão porém sensacional
Se Beber Não Case. Todos que viram o filme devem concordar que o filme surpreende com suas piadas e é aquele tipo de filme que seria mais uma das mil comédias engraçadinhas que Hollywood produz todo ano é na verdade uma das melhores comédias que você já viu! Mas, é claro, ninguém poderia adivinhar que seria um filme ganhador do Globo de Ouro ainda mais quando na mesma categoria estão filmes como
Nine que tem cara, cor e cheiro de Globo de Ouro e
Julie e Julia que tem, bem, Meryl Streep. Eu gostei da vitória de
Se Beber Não Case pois o filme é realmente muito bom e abre espaços para uma gama mais heterogênea de filmes ser premiada.
E, para concluir a noiite o prêmio máximo da noite, aquele que normalmente dita o vencedor do oscar de melhor filme (apesar de nos últimos anos ter dado zebra...), o prêmio de Melhor Filme Drama. O vencedor como muitos já esperavam foi
Avatar de James Cameron. Gera-se, então um burburinho daqueles que torcem por
Bastardos Inglórios outro filme brilhante. Apesar de
Bastardos Inglórios ser mais o meu tipo de filme (Alôw! Tarantino!) consigo entender porque
Avatar levou a melhor. Como já disse antes,
Avatar é um fenômeno, é um filme grandioso em diversos aspectos e com certeza é um marco na história do cinema.
Então, com um Globo de Ouro tão cheio de surpresas e sem um filme “papador de prêmios” vimos muitos blockbusters levando a melhor. Do ator de todos os filmes de grande bilheteria Robert Downey Jr. à queridinha da América Sandra Bullock, do filme pipoca
Se Beber, Não Case ao mostro de bilheteria Avatar; a pergunta que fica então é:
Seria esta uma nova fase do cinema em que o cinema bom é o cinema pop?