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24. Sindicato de Ladrões



"Tudo Sobre Traição"

Sinopse: "Terry Malloy (Marlon Brando) é um ex-boxeador que costumava ser grande, mas que se tornou pequeno ao entrar para a gangue exploradora de Johnny Friendly (Lee J. Cobb). Quando uma trabalhador inocente morre, Terry sente-se culpado e começa a tentar consertar suas ações passadas lutando diretamente contra o sindicato, sofrendo também as conseqüências. Durante a luta, acaba por se apaixonar pela irmã do falecido, a jovem e inocente Edie Doyle (Eva Marie Saint)."

Uma das inúmeras qualidades do Cinema é que é possível ter aulas sobre vários temas (História então...) de uma maneira bem interessante. E "Sindicato de Ladrões" dá uma aula sobre a época anticomunista estadunidense, trabalhando em cima de um roteiro que não poderia apresentar falhas.
Para quem não sabe, esse filme foi feito bem na época em que até uma cadeira poderia ser levada a julgamento se aparentasse qualquer relação com o comunismo (a famosa Caça às Bruxas). E quando o roteiro foi escrito, se eu não me engano vários amigos e conhecidos (inclusive outros diretores) de Elia Kazan estavam sendo julgados, e o diretor desse filme testemunhou no "Tribunal Anticomunista".
Daí vem o tema sobre traição que ronda toda a história, o medo e ao mesmo tempo a necessidade de "abrir o bico", a tentativa de transformar o "dedo-duro" em bom moço.
É completamente aceitável o comportamento da maioria dos personagens ao tratarem Terry (Brando, brilhante como sempre) de maneira hostil. Quer dizer, eles sempre ficarão divididos entre fazer o certo ou preservar as próprias vidas. Ainda assim, enquanto o diretor consegue passar essa visão, ao mesmo tempo ele também faz quem assiste ter uma leve tendência a não lidar muito bem com certas atitudes dos companheiros do protagonista. Como por exemplo a cena em que seu fiel escudeiro, o menino que o ajudava a cuidar de seu pombal, mata todos os seus pombos, alegando "uma traição por outra".
Apesar de nem todo o filme ter sido uma grandíssima "sacada", com cenas em que eu me pergunto se as novelas mexicanas não se baseiam (a cena da morte do irmão de Edie - Eva Marie Saint não muito marcante na minha opinião - na qual ela procura a luz no cenário e consequentemente fica de costas para o personagem com quem conversava), ele tem cenas muito inteligentes.
A cena em que Terry Malloy admite para Edie que estava envolvido com a morte de seu irmão, por exemplo. A maneira como o espectador não é permitido ouvir sua confissão, abafado por sons de um navio para mim é uma idéia brilhante de o diretor lidar com a realidade. Um jeito perfeito de fugir da possível culpa que teria.
(Aliás, vale a pena levantar a questão da culpa e religião, muito esperto usar a imagem de Deus para alcançar a consciência das pessoas no filme.)
Outras cenas menores também merecem atenção, mais devido à atuação grandiosa de Brando (não adianta, eu sou suspeito). Cenas como a do bar, na qual ele se sente culpado por não ajudar a garota por quem vem a se apaixonar, ou ele brincando com as luvas dela na praça, ou até mesmo naquele fim simbólico em que ele evoca seu antigo lutador de boxe e líder ao mesmo tempo para chegar ao posto de trabalho.
O que realmente me deixou meio incomodado com o filme foi uma coisa: uma das cenas mais faladas do Cinema sobre esse filme é a cena do táxi, em que ele e o irmão conversam no banco de trás. Só que aquela cena para mim não teve nada fora do normal. Alguém pode me dizer qual é o ponto que eu perdi nessa cena?

Darei nota 9.0

Não adianta, o cinema clássico para mim sempre será mais original que o atual.

Volto em breve.

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