
"Aprenda com o Mestre a fazer um filme inteligente"
Eu não preciso ficar aqui dizendo que Hitchcock será imbatível na arte de fazer um filme de suspense bem feito.
Ele sabe criar o ambiente perfeito, ele sabe criar os assassinos reais, ele sabe criar o clima perfeito e ele sabe como desvendar um mistério de maneira perfeitamente viciante. Percebam qual foi o adjetivo mais usado para descrever o trabalho do cara.
Eu decidi não pôr sinopse para esse filme porque o ideal é assisti-lo sem ter muita noção do que irá acontecer; e acreditem, vale a pena perder uma hora e quarenta minutos do seu tempo assistindo a esse filme. Para se ter uma noção, eu já conhecia a história do filme e sabia o que iria se passar durante alguma parte dele. Ainda assim, eu mal conseguia piscar durante o desenvolvimento da história. Na cena de assassinato (isso não vale como sinopse, afinal, estamos falando de um filme de Hitchcock), eu prendi a minha respiração. E quando percebi que o fazia, pensei: "Puxa vida, o 'Mestre' deve estar sorrindo no túmulo agora".
Ele com certeza absoluta consegue arrancar todos os sentimentos que deseja de uma pessoa. E é simplesmente ridículo de genial a maneira como ele consegue fazer isso.
Nesse filme em particular, para exemplificar o que quero dizer, começamos pelo abuso do cenário. Mais um filme em que toda a história se passa quase por completo em um único local. Excluindo a cena do julgamento que, brilhantemente, não se passa em um tribunal, e sim em um "cenário limpo", em que apenas o roteiro te encaminha para a dedução de que aquilo é um julgamento.
Seguido por longuíssimas cenas em um só contexto, como a cena de toda a preparação e conversa entre assassino e contratante, ou então a cena pós assassinato, em que a polícia procura provas. São duas cenas que levam embora uma grande parte de tempo do filme: quando você percebe, uma hora já se passou.
Ou ainda a idéia de plano perfeito criado no filme que vai se desfazendo ao acaso, em situações em que o esperado não deveria acontecer e não acontece . Uma coisa que falta atualmente, aliás. É incrível (e como é chato) que tudo o que o assassino quer que ocorra, ocorre. Hitchcock já quebrava um tabu que seria criado após seus filmes terem sido lançados. Em Disque M Para Matar as coisas vão saindo do controle do marido de maneira perfeitamente natural, como seriam na realidade.
Além de todas essas idéias que diferem os filmes de Hitchcock para o resto, há os detalhes que fazem diferença, como o abuso de cores do suposto tribunal em que Grace Kelly é julgada; ou como as cores das roupas dela vão "fechando" à medida em que sua vida vai se complicando; ou até mesmo como Hitchcock faz questão de mostrar um Robert Cummings que vai criando uma situação ao chamar o assassino em sua casa (ainda não é sinopse) e depois vai desfazendo-a detalhadamente, relevando suas intenções.
Nota 9.1
Quando eu conseguir digitar tudo, vou postar aqui um texto no qual François Truffaut entrevista Alfred Hitchcock. Eles conversam sobre vários filmes, inclusive Disque M Para Matar e Janela Indiscreta. Um material que vale a pena ler.
See ya.







0 comentários:
Postar um comentário