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Nossa meta: assistir 1001 filmes durante esse ano de 2010.

35. Lolita


"Está tudo nas entrelinhas."

Sinopse: "Erudito professor universitário britânico vai trabalhar nos Estados Unidos e lá fica tão obcecado por uma ninfeta de 14 anos que casa sua mãe, para estar próximo dela. Porém, quando a esposa morre atropelada ele acredita ser o momento adequado para seduzir a enteada, mas algo acontece que pode prejudicar seus planos."

É engraçado que a maioria das pessoas conhece Lolita por sua nova versão, e em geral, adora. O problema é que quem não assistiu à obra-prima em sua forma original não pode chegar a fazer uma comparação entre as duas versões; simplesmente vê uma delas, na maioria das vezes a mais nova por ser mais acessível, gosta e diz que provavelmente esse é o melhor dentre os dois. Eu fiz isso.
E apesar de ser um roteiro adaptado, é bom ver que, no último filme, muito foi aproveitado de Stanley Kubrick. Não apenas de modo fiel às cenas como também aproveitado de maneira a mudar por completo o ângulo da história. OK, deixa eu me explicar melhor.
Fazer comparação entre filmes na maior parte das vezes é uma coisa bem idiota de se fazer, mas acho que dessa vez é necessário. Em uma época em que a liberdade de imagens e diálogos não era tão aberta quanto hoje em dia (o filme é de 1962), Kubrick aplicou o golpe perfeito: deixou tudo na imaginação de quem assiste. Com cenas inacabadas e diálogos entrecortados que abusam da linguagem dúbia, ele conseguiu criar personagens com uma psicologi bem atordoante. Diferente da Lolita de Adrian Lyne, que aproveita a "liberdade" que sua geração permitia e utiliza ao máximo a sexualidade da atriz, Kubrick trata tudo com uma espécie de suavidade fingida.
Ele cria um Dr. Humbert doentio e possessivo juntamente a uma Lolita mentirosa, cínica e
extremamente manipuladora. Enquanto muitos pensariam que esse é um mérito do livro, eu digo que talvez não seja já que o Dr. Humbert de Jeremy Irons me faz pensar em duas palavrassubmissão e passividade. A Lolita de Lyne possui as mesmas características, mas essas não são mostradas de maneira tão sutil.
Por outro lado, para elogiar, Lyne, há quem pense que ele só se aproveitou que as coisas estavam "mais fáceis" de serem mostradas, mas assistindo ao filme antigo, consegui perceber uma perfeita inversão de imagens. Um tipo de mensagem, como "olha, Kubrick, fiz tudo o que você não pôde. Será que você gosta?"
E eu acho isso não só pela inversão de situações, como o corte de uma hora inteira da história e o desfazer da completa sutileza na relação entre padrasto e enteada. O fato de ter mantido a essência do filme mais velho do meio para o fim também mostra isso. Com o clímax no reencontro entre os dois, com Lolita grávida e usando óculos (esses são uma metáfora e tanto), a repetição de imagens e palavras foi perfeita. Novamente, considerando ser um roteiro adaptado, pode-se levar em conta a fidelidade ao livro. Mas realmente sinto como se houvesse uma espécie de homenagem à obra de Kubrick por parte de Lyne. Só que, como o filme aqui discutido é o do nosso querido diretor de 2001, Laranja Mecânica, Nascido para Matar, entre outros, só posso elogiar o método muito muito esperto de levar um livro com alto teor erótico implícito às telonas. Pensando em como deve ser difícil adaptar um roteiro desses hoje em dia, ele o fez em uma época ainda mais rigorosa, e por essas e outras que ele tem o nome que tem, não é mesmo?

Nota 9.2

Estamos de volta! Em breve mais filme.


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