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Nossa meta: assistir 1001 filmes durante esse ano de 2010.

47. O Segredo Dos Seus Olhos


"Que merda, os argentinos estão anos-luz a nossa frente."

Sinopse: "Benjamin Esposito (Ricardo Darín) se aposentou recentemente do cargo de oficial de justiça de um tribunal penal. Com bastante tempo livre, ele agora se dedica a escrever um livro. Benjamin usa sua experiência para contar uma história trágica, a qual foi testemunha em 1974. Na época o Departamento de Justiça onde trabalhava foi designado para investigar o estupro e consequente assassinato de uma bela jovem. É desta forma que Benjamin conhece Ricardo Morales (Pablo Rago), marido da falecida, a quem promete ajudar a encontrar o culpado. Para tanto ele conta com a ajuda de Pablo Sandoval (Guillermo Francella), seu grande amigo, e com Irene Menéndez Hastings (Soledad Villamil), sua chefe imediata, por quem nutre uma paixão secreta."



De verdade, me incomoda muito que até agora pouquíssimos brasileiros tenham tido a capacidade de construir tão bem uma história quanto Juan José Campanella. Enquanto nós mandamos a história de uma dupla sertaneja para concorrer a alguma coisa (e se alguém achar isso estúpido, toma porrada e é chamado de anti-patriota!), eles estão adaptando histórias lindas e muito bem escritas, construindo filmes maravilhosos como esse e se dando bem. Como perguntaria uma amiga: "Cara, por que a gente é assim?"
Quer dizer, nós temos a literatura em alto nível. Se não temos a capacidade de construir um roteiro maravilhoso, temos pelo menos o que adaptar. Pergunta do dia: O que está faltando para chegarmos lá, pelo amor de Deus?
Esse é meu tipo de filme. Um roteiro ridículo de bem construído, atuações muito sólidas, a psique dos personagens super bem trabalhadas. O modo como Ricardo Darín se perde nos próprios pensamentos, sendo sempre cortado por um som diferente, ou até mesmo os sustos que ele toma durante o filme.
Ainda há a maneira com que se envolve facilmente amor e morte durante o enredo, passando por obsessão e loucura. A fotografia e o uso das câmeras foram um dos pontos-chave para que esse enredo tivesse o poder que tem, consegue-se perceber claramente que quem estava por detrás de tudo sabia muito bem o que estava fazendo. O foco nos olhos dos personagens, cada um expressando uma idéia ou emoção foi mais que apenas introduzir o nome do filme. Novamente, aqui os atores mostrando que só reproduzir um script não é atuar.
Não foi preciso muito para construir esse filme e no entanto ele está aí, vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Eu ainda não assisti a A Fita Branca, mas já sinto que foi merecido.
Outra característica do filme é que há uma linha temporal que vai e volta, sendo que não é uma linha confusa ou chata, que te faz preferir "um tempo" da história. Aliás, ponto também para a maquiagem, é mais uma prova de que com pouco dá pra conseguir ótimos resultados.
É um filme esperto. Cheio de potencial, transformaram o pouco que tinham em uma obra-prima. Isso na minha opinião é capacidade para poucos, e pelo visto não para brasileiros, né.

Darei nota 9,0.

Meu post de hoje é mais uma crítica a inabilidade de criar um cinema de qualidade aqui no Brasil. Queria um cinema nacional que se preocupe mais com passar uma história bem feita em vez de querer atrair massas e conseguir dinheiro. Eu me sinto frustrado em saber que o nosso cinema só tem uma vertente, e as chances de mudar são ínfimas considerando que o patrocínio vem do Grande Irmão, não é mesmo?

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