"Uma Grande Declaração de Amor"Sinopse: "Em São Francisco, Matt Drayton (Spencer Tracy) e Christina Drayton (Katharine Hepburn), um conceituado casal, se choca ao saber que Joey Drayton (Katharine Houghton), sua filha, está noiva de John Prentice (Sidney Poitier), um negro. A partir de então dão início à uma tentativa de encontrar algo desabonador no pretendente, mas só descobrem qualidades morais e profissionais acima da média."
É engraçado que já em 1967, numa época em que mais de dez estados americanos consideravam crime um casamento interracial, era possível encontrar filmes "alternativos" ao tema racismo. Enquanto a grande maioria trata o tema com violência e segregação, em Adivinhe Quem Vem Para Jantar é o oposto, vemos como uma jovem liberal e determinada decide incluir em sua família tipicamente branca um rapaz negro por quem se apaixona.
Até aí tudo bem. Para enfatizar a dificuldade que os pais dela têm a aceitar esse casamento, existe a questão de tempo. Afinal, ela se apaixona e eles decidem casar em apenas 10 dias.
Aliás, esse é um ponto interessante. Quando comecei a assistir, pensei logo "pô, inaceitável um roteiro em que eles se apaixonem tão rápido e os pais aceitem o casamento de boa!".
Só que então caiu a ficha de que esse era um ponto necessário para que não houvesse hipocrisia. O interessante era mostrar que o tempo não importava. O que importava era a raça. O que quer dizer, e chega até a ser dito no fim pelo personagem de Spencer Tracy, pai da jovem, que o problema que ele estava enfrentando ali era sim quanto ao fato do noivo da filha ser negro, sem qualquer outra desculpa.
E se tratando de um roteiro ótimo, vemos também que esse mesmo personagem confronta suas próprias convicções, já que se vê indeciso em apoiar o casamento da filha quando sempre foi liberal e a ensinou a se comportar sem qualquer tipo de preconceito. Esse é o tapa com luva de pelica. "Eu ensinei que não deve tratar ninguém diferente e ela se apaixona por um negro. E agora, José?"
É interessante que até a empregada negra da família trata mal o noivo. Afinal de contas, racismo ente raça nunca foi incomum.
Resumindo, eu acho ótima a maneira com a qual o assunto é tratado. E apesar de não engolir muito bem a reação das mães do casal, que se põem indiscutivelmente a favor dos filhos alegando ver o enorme amor entre eles (isso durante algumas horas na mesma sala), esse foi um ótimo ponto para percebermos a relação dos pais, de como as mães sentem falta do romance que vêem na relação dos filhos.
O que deixa brecha para uma das maiores declarações que já vi em um filme, quando Tracy, para enfim dar sua resposta acerca do casamento, lembra a Katharine Hepburn o quanto a ama:
Sabe o mais interessante?
Nos últimos minutos, as lágrimas derramadas por Katharine Hepburn, durante o comovente discurso proferido pelo personagem de Spencer Tracy foram, segundo ela própria, verdadeiras, pois ambos sabiam que aquele seria o último filme deles. Eles foram amantes por muitos anos mas Tracy, sendo católico, jamais tomou a decisão de se divorciar de Louise Treadwell, com quem foi casado por 44 anos.
Então, gostei. Minha nota será 8.7
See u soon.







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