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Nossa meta: assistir 1001 filmes durante esse ano de 2010.

22. Lula, o Filho do Brasil



“E o trabalho sujo seria meu”

Sinopse: 1945, sertão de Pernambuco. Menos de um mês após Aristides (Milhem Cortaz) partir para São Paulo com uma mulher bem mais nova, dona Lindu (Glória Pires) dá a luz ao seu sétimo filho: Luiz Inácio da Silva, que logo ganha o apelido de Lula. Sem ter a quem recorrer, Lindu cuida da família sozinha. Três anos depois Aristides retorna, acompanhado de Sebastiana, sua filha. Uma semana depois ele parte mais uma vez, deixando o bebê e levando consigo Jaime (Maicon Gouveia), o segundo filho mais velho. Durante a seca de 1952 a família recebe uma carta de Aristides, chamando-a para viver com ele em São Paulo. Lindu vende tudo o que tem e viaja para São Paulo, junto com os filhos. Ao chegar descobre que a carta era falsa. Quem a escreveu foi Jaime, que já não aguentava mais os maus tratos do pai. A família passa a viver em Santos, onde Aristides vivia com outra mulher e trabalhava como estivador. Vivendo em condições precárias, a família ainda precisa lidar com a crescente violência de Aristides.

Semana passada foi aniversário da minha avó e, sem se sentir nem um pouco culpada, ela soltou de imediato: “Bel, vamos ao cinema hoje? Quero muito assistir Lula!” Eu tentei entender o porquê da tamanha vontade em assistir esse filme, mas ela não conseguiu me explicar direito não. Por último eu decidi consentir, afinal era aniversário dela e o meu presente foi o mesmo de todos os anos: o seu perfume (que, por sinal, estava quase cheio na mesa da pia).
Ah, mas eu não passaria por isso sozinha, fiz questão que o meu irmão fosse junto. Se eu estava me sentindo culpada por ter dado o mesmo presente todos os anos, ele deveria se sentir ainda mais, pois nem presente ele havia comprado! Desse modo, estávamos lá: eu, meu irmão, minha avó e TODAS AS VELHINHAS DO MEU BAIRRO no cinema. (ps: elas são incapazes de entender que há lugares marcados no cinema. Os atendentes da bilheteria tinham que explicar melhor isso para elas. Aquilo que elas escolhem na telinha NÃO É BINGO! É o lugar em que você vai se sentar no cinema, meu Deus!)
Antes eu vou explicar o motivo do meu desespero com filmes desse tipo. Há aproximadamente 4 anos, a minha avó me convenceu a assistir “2 Filhos de Francisco” com ela. Não me entendam mal, não é que o filme seja ruim. O roteiro pra mim é fraquinho, mas inegavelmente é um filme bem feito. O problema é que eu fiquei com aquela voz estridente daqueles garotos cantando “No dia em que eu saí de casa...” umas duas semanas na minha cabeça. E, sinceramente, esperava pior de “Lula, o filho do Brasil”. Muito pior.
O filme começou e eu senti de imediato um déjà vu de 4 anos atrás. A fotografia é muito similar e as cenas muito curtas estão presentes em ambos os filmes. Odeio história muito cortada. Isso não deixa o filme correr de forma natural, não deixa os sentimentos se desenvolverem e, sinceramente, sempre me passa a imagem de desleixo para com o filme. E eu acho que vocês já sacaram o quanto eu gosto de algo bem feito e bem pensado.
Assim como “2 Filhos...”, “Lula,...” tem um roteiro bem fraquinho. O objetivo deles é claro: fazer com que você sinta pena do Lula. Talvez seja por isso que, no final, vi muitas velhinhas chorando... Então, se esse era o objetivo principal do filme, digo que nem isso eles fazem direito. Deveriam ter explorado melhor os momentos tristes, mas sabemos bem que isso é impossível com cenas muito curtas. Para isso eles deveriam ter se garantido mais no silêncio, mas acho que eles tiveram medo de se garantir na atuação. Não que o ator que faz o Lula interprete mal. É muito fácil entender porque ele foi escolhido: em alguns momentos ele é a cara do Lula! Até a voz é similar! Contudo, o que me pareceu é que a direção não quis se garantir nele. Não quiseram arriscar. Um erro pra mim.
Além disso, o que chama muita atenção no roteiro é a forma com que ele foi escrito. Falas forçadas daquele tipo que ficam muito bonitinhas no papel, mas que você não consegue imaginar alguém falando são comuns nesse filme. O sotaque nordestino com algumas palavras muito cariocas e atuais para a época me chocou. Será que ninguém havia observado isso antes?
Contudo, “Lula,...” tinha uma arma muito poderosa nesse filme: Glória Pires! Para mim, eis a melhor atriz do cinema brasileiro. Sim, ela definitivamente não sabe escolher filmes, mas sabe bem o que faz. Com aquelas falas mega forçadas, ela era a única que conseguia torná-las um pouco mais usuais. E, eu garanto, isso deve ter sido muito difícil.
Por outro lado, tivemos o desprazer de observar a atuação da filha dela. (e tudo começa a ser bem claro quando descobrimos que Orlando Moraes é um dos produtores associados do filme...) Cléo Pires representando uma nordestina pobre da década de 60 é hilário! É incrível como nunca consegue deixar de ser uma carioca rica do século XXI. Não importa o quanto ela se esforce. (e a impressão que eu tenho é que ela não se esforça muito não...)
Por último, não posso deixar de comentar o que tudo mundo fez questão de falar quando o filme saiu. Sim, me parece ser muito jogada política um filme com o nome “Lula, o filho do Brasil” ter sido lançado em ano de eleição. No começo do filme eles perdem muito tempo mostrando todos os trocentos patrocinadores a fim de deixar muito claro que não há dinheiro público nisso. Sinceramente, isso não me diz nada!
Entretanto, assistindo o filme, essa idéia de jogada política não veio a minha cabeça momento algum. A história termina antes de ele entrar na política e, na verdade, eles meio que deixam claro que esse não é o foco do filme. Querendo ou não, o senhor Luiz Inácio da Silva tem uma história de vida merecedora de filme. Muito mais que os senhores Zezé di Camargo e Luciano. É impressionante ver de onde ele saiu e onde hoje chegou. Não importa o que ele faça hoje, sempre será impressionante. Todavia, não posso deixar de concordar com uma amiga minha: esse filme faria muito mais sentido depois da morte do Lula.

Minha nota? 6,0
E minha pergunta? Por que minha avó só me leva para ver filmes que eu não quero ver? Mentira! Minha pergunta é muito simples: quero saber qual é a opinião de vocês sobre o lançamento desse filme justamente nesse ano de 2010.

Beijos e até a próxima. (que não demorará muito, garanto! Agora estou no Rio de vez... =/)

4 comentários:

Maurício disse...

E obvio que nao quiseram se garantir no ator que fez o Lula. Olha quem tem a cara gigante no poster!

E vc falou hj, mas realmente vc conta uma históoooooria pra poder falar do filme... XD

e é tudo golpe político! Até os patrocinadores são patrocinados!

Maurício disse...

ossa, quanto "e"

Maurício disse...

nossa*

Maurício disse...

bel vai chegar aqui achando que tem um monte de comentario e eh tudo meu XD

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