RSS
Bem-vindo ao CINEMA NAÏF. Aqui você encontra as últimas críticas feitas por aqueles que não entendem nada de cinema.

Nossa meta: assistir 1001 filmes durante esse ano de 2010.

3. Irreversível





"Não sei se gosto ou se odeio."

Sinopse: "O filme narra, de trás para frente, a história de uma vingança. A primeira seqüência mostra dois amigos desesperados, Marcus (Vincent Cassel) e Pierre (Albert Dupontel), saindo pelo submundo de Paris à procura do homem que teria estuprado e espancado Alex (Monica Bellucci), a atual namorada de Marcus e ex-namorada de Pierre. Em seguida, a narrativa volta passo a passo no tempo para mostrar como Marcus e Pierre descobriram o nome do autor do crime, recuando até o próprio estupro e os eventos que o antecederam."

Filme abusado. Gaspar Noé decidiu que seria um filme todo de exageros. Exagero na linguagem vulgar, exagero na nudez e nas cenas de sexo (uma cena de estupro durar quase 10 minutos? E sem cortes? Parabéns para a Monica Belucci), exagero na violência...
Eu sou um fã de exageros, sabe. Mas, Deus, assistir a determinadas cenas me fez perguntar se aquilo realmente era necessário. Quer dizer, repito: uma cena de estupro durante quase 10 minutos? Qual o objetivo, torturar quem assiste?
Óbvio que o filme teve muitas qualidades. A câmera tremida na minha opinião funcionou muito bem. Tornou tudo bem mais real, quase como se estivesse lá correndo junto aos personagens principais. E na cena de estupro (que tanto me chocou) a câmera não se mexe. Primeira pergunta: POR QUÊ? Pro expectador absorver melhor o impacto? Sentir como se estivesse lá, parado, e não pudesse fazer nada? Se for por isso, me decepcionou, porque então o objetivo seria chocar mesmo. E fazer uma cena com a intenção de chocar me parece meio forçado.
Apesar disso o abuso da cor vermelha durante todo o filme encaixou muito bem. Não só pela idéia de vingança e pelo estupro, mas também pela história da própria personagem da Belucci. Eu não vou contar, já que só é explicada no fim/início da história (sim, o enredo é contado de maneira irregular, de trás pra frente) e eu acredito que tinha o objetivo de chocar um pouco mais, mas para mim não foi grande coisa.
Bom, ja que falei da história sendo contada de maneira não convencional, não sei se considero isso um ponto positivo. Quer dizer, é bom por fugir à regra, e as cenas não ficaram mal feitas. Mesmo assim, não me parece muito original. Me lembra "Amnésia". Mas como não sei qual filme foi feito antes, não posso dizer mais nada.
Como ponto negativo mesmo, eu só tenho umas críticas a fazer quanto ao roteiro. Primeiro: analisando o filme depois de tê-lo assistido todo, dá para perceber que Cassel era um gentleman com Belucci. Então, na cena da festa, da qual ela sai para ser estuprada, ela sai porque ele se comporta como um verdadeiro idiota. Quer dizer, do nada o cara muda, beija outras mulheres, trata mal a namorada... Eu posso estar perdendo algum ponto aí, mas não poderiam arranjar uma explicação melhor para ela ter saído da festa? Ficou estranho mudarem o comportamento do personagem do nada.
Segundo: Pelo amor de Deus! A mulher ia pegar um táxi ao sair da festa, UM ÚNICO TÁXI não para para ela e ela desiste! Resolve ir a pé! Então, ela ouve o conselho de uma mulher qualquer para não atravessar a rua e ir por um túnel escuro e vazio! Tipo, OI? Quem em condições normais faria isso?
Nessas horas eu não sei se relevo por ser um filme... Enfim, não sei.
Ainda assim o filme me agradou, apesar de eu ter odiado.
Nota para ele? 8.1

Agora vale o espaço para discussão. Eu sempre quis saber O QUÃO DIFÍCIL É PARA UM ATOR TER QUE REALIZAR CENAS COM UM FORTE IMPACTO EMOCIONAL(?). Quer dizer, cenas de estupro ou suicídio ou até mesmo uma discussão intensa. Como será que o ator se prepara ou fica após uma cena dessas? Deve ser extremamente problemático.

Eu vou mas eu volto, até a próxima.

3 comentários:

isis disse...

amnésia é mais antigo (2000), irreversível é de 2002.

quanto à câmera não tremer durante o estupro, pensei em duas possibilidades: acho que o fato de ela ficar parada pode representar a reação de alguém ao ver uma cena dessas, ao vivo, sem o poder/a capacidade de se fazer presente. como o cinema te dá a possibilidade de ser um voyeur, sem interferir no desenrolar da trama, a intenção do diretor pode ter sido a de deixar todo mundo estatelado na cadeira, pra causar ainda mais inquietação. a outra é que estilisticamente, se a câmera ficasse se mexendo, as pessoas pederiam o foco da cena e acabariam se distraindo com os detalhes e como a intenção aqui é chocar... enfim, uma possibilidade não exclui a outra.

Maurício disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Agnan disse...

"Uma cena de estupro durante quase 10 minutos? Qual o objetivo, torturar quem assiste?" Sim, claro!
E sabe de uma coisa? Isso é legal. Quando isso é um objetivo e a pessoa o atinge. Odeio filmes que nos chocam, torturam, como vc disse, mas sem esse ser o principal objetivo do filme. Quando isso acontece ou você está muito sensível com relação ao tema do filme ou o diretor é um insensível.
Eu gosto de filmes que têm um objetivo maior. E adoro quando eles conseguem cumpri-lo.

Postar um comentário

 
Copyright 2009 CINEMA NAÏF. All rights reserved.
Free WordPress Themes Presented by EZwpthemes.
Bloggerized by Miss Dothy